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Internacional

Tensões acrescidas com Pyongyang são pano de fundo das presidenciais na Coreia do Sul

O centrista Ahn Cheol-soo (esq) segue bem próximo do líder da corrida, o liberal Moon Jae-in

KIM HONG-JI

Dois meses depois da destituição de Park Geun-hye, eleições antecipadas estão a ser dominadas pela incerteza económica e pela questão norte-coreana. Candidatos que dominam as intenções de voto são mais favoráveis ao diálogo com o Norte do que os conservadores que estiveram no poder nos últimos dez anos

O eleitorado sul-coreano está a mobilizar-se nas urnas esta terça-feira para escolher o seu próximo Presidente, dois meses depois de Park Geun-hye se ter tornado a primeira líder da História moderna do país a ser destituída. A corrida está a ser encabeçada pelo candidato liberal Moon Jae-in, seguido de perto pelo centrista Ahn Cheol-soo, numa altura de incerteza económica no país e de tensões acrescidas com a Coreia do Norte.

Os observadores estão a antecipar uma elevada participação eleitoral, sobretudo graças à mobilização dos sul-coreanos mais jovens, mais castigados pelo fraco desempenho da quarta maior economia da Ásia. Treze candidatos constam dos boletins de voto mas é Moon quem parece ter a vitória garantida, com uma agenda que passa por aumentar os contactos com o Norte em contraste com a posição de Park, que cortou quase todas as relações com o arquirrival da península coreana. As urnas vão fechar às 20h locais (meio-dia em Lisboa), antecipando-se que o vencedor seja anunciado pouco depois.

Durante a curta campanha, todos os candidatos prometeram proteger a frágil economia em recuperação e reduzir a taxa de desemprego, sobretudo entre os jovens. A campanha também tem sido dominada por um debate sobre as elites políticas sul-coreanas e os pedidos de reforma do sistema de conglomerados familiares (conhecidos como Chaebols) que domina a economia do país há várias décadas.

A par disso, e num momento de elevadas tensões entre Pyongyang e os Estados Unidos e seus aliados na região, a segurança doméstica é o outro grande tema em destaque nesta ida às urnas. Moon, o candidato do Partido Democrático da Coreia, defende um maior diálogo com o regime de Kim Jong-un embora mantendo as pressões e as sanções ao país a norte.

Grande crítico dos dois anteriores governos por terem falhado em impedir o avanço dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, Moon é acompanhado por Ahn nos pedidos ao Presidente norte-americano Donald Trump para que amaine a retórica bélica, depois de este ter sugerido que poderia agir militarmente contra o hermético regime por causa dos seus programas de armamento.

O terceiro candidato presidencial, Hong Joon-pyo, do Partido Liberal da Coreia, distanciou-se dos dois rivais que atualmente lideram a corrida, adotando uma posição mais favorável aos EUA; em declarações na passada quinta-feira, o conservador sublinhou que estas eleições são uma "guerra de escolha entre regimes".

A Coreia do Norte já deu a entender quem apoia nas eleições a sul, com os media estatais a dizerem nos seus editoriais desta terça-feira que a atual relação entre os dois países da Península Coreana tem sido "forjada por grupos conservadores que, no poder nos últimos dez anos, reavivaram os tempos idos de confrontos e maximizaram a rivalidade política e militar entre uma mesma raça".

Pyongyang é favorável a um candidato associado à chamada Política do Sol, uma estratégia de aproximação pacífica ao Norte seguida entre 1998 e 2008, com o aval da China, que passou por apostar nas trocas comerciais e na ajuda externa a Pyongyang. Essa estratégia colapsou há nove anos assim que a Coreia do Norte inaugurou o seu programa de armas nucleares, dois anos depois de a Coreia do Sul ter suspendido o envio de ajuda ao Norte após o primeiro teste.

Moon Jae-in, que integrou o governo promotor da Política do Sol, já indicou que quer uma aproximação ao Norte. A BBC aponta esta manhã que o patrocínio de Pyongyang não só não vai ajudá-lo como pode até jogar contra ele nas urnas. Apesar disso, é ele quem continua à frente nas intenções de voto, tendo pedido aos sul-coreanos que o ajudem a alcançar uma "vitória esmagadora" que o ajude a unir a nação no rescaldo da destituição de Park por abuso de poder e corrupção.

"Sinto que, para além do meu partido e de mim próprio, também as pessoas estão desesperadas por uma alteração de governo", declarou esta terça-feira aos jornalistas, depois de depositar o seu voto nas urnas.

Moon perdeu as eleições presidenciais de 2012 para Park, a primeira mulher a ser eleita Presidente da Coreia do Sul e a primeira a ser destituída na História moderna do país. Ahn chegou a candidatar-se nessa corrida mas desistiu a meio para apoiar formalmente Moon numa tentativa de consolidar o voto contra Park. Agora apresenta-se como uma alternativa ao antigo aliado, sob promessas de endurecer as políticas de segurança nacional.