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Pais das jovens nigerianas raptadas querem saber se as suas filhas estão entre as 82 regressadas

As raparigas encontraram-se com o Presidente Buhari

Bayo Omboriowo / Reuters

Twitter e jornais revelam os nomes das jovens libertadas pelo Boko Haram. Muitos pais continuam ansiosos sem saber se as suas filhas estão de regresso a casa

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Está a levar tempo para que os pais consigam confirmar se as suas filhas se encontram entre as 82 raparigas que foram libertadas, há dois dias, na Nigéria, pelos rebeldes do Boko Haram.

No sábado, as raparigas foram transportadas por via áerea para a capital Abuja numa troca, negociada pelo Governo, por comandantes do Boko Haram. O gabinete do Presidente divulgou os nomes das 82 raparigas de Chibok via Twitter no domingo passado. Nem o Governo nigeriano nem o Boko Haram - que tem ligações ao Daesh - deram pormenores sobre a negociação e sobre a operação de troca.

Na região de Chibok, no nordeste da Nigéria, zona de onde foram raptadas 276 jovens pelos militantes islamitas em abril de 2014, a maior parte dos habitantes não tem acesso a redes sociais. Segundo a agência Associated Press, as pessoas corriam na segunda-feira aos pontos de venda de jornais para tentarem confirmar que nomes se encontravam na lista de 82 pessoas libertadas. Em causa estava a decisão de viajar até à capital, a 900 quilómetros de distância.

Não era claro esta terça-feira quantos pais tinham tido acesso à informação, enquanto fotografias distribuídas no domingo pelas autoridades mostravam as mulheres envergando roupas coloridas num encontro com o Presidente Muhammadu Buhari, antes do anúncio da partida deste para tratamento no estrangeiro. Na segunda-feira, foi a vez de se encontrarem com o ministro da Saúde, Isaac Folorunso Adewole.

O Boko Haram já tinha libertado um primeiro grupo de 21 pessoas em outubro do ano passado, que têm estado a cargo do Governo para assistência médica, aconselhamento psicológico e reabilitação, segundo a AP. Por enquanto, há ainda 113 raparigas cujo paradeiro permanece desconhecido. Algumas das que escaparam logo a seguir ao rapto de 2014 contaram que tinham havido mortes por doença entre as suas colegas e que outras não quiseram regressar a casa por se terem radicalizado.

Calcula-se que o processo de recuperação venha a ser longo e o terror na região nordeste da Nigéria está longe de estar solucionada, apesar das investidas das forças de segurança nigerianas. Milhares de pessoas foram mortas nos últimos anos e há perto de dois milhões de deslocados em consequência das investidas terroristas dos radicais islamitas.

“Apelamos a todos os nigerianos, incluindo as famílias e as comunidades locais das raparigas libertadas para que as acolham e lhes deem o apoio que garanta a sua reintegração na sociedade”, apelou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.