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Ex-primeiro-ministro francês candidata-se às legislativas pelo partido de Macron

Thierry Chesnot/GETTY

Manuel Valls diz que o “Partido Socialista está morto” e quer juntar-se ao movimento de Emmanuel Macron, que vai passar a partido com a designação República em Marcha

O ex-primeiro-ministro francês anunciou esta terça-feira que será candidato do partido República em Marcha, de Emmanuel Macron, nas eleições legislativas em junho.

Segundo Manuel Valls, o “partido socialista está morto” em linha com os velhos partidos e o facto de se rever na linha política do partido de Macron vai levá-lo a aderir à República em Marcha.

“Eu serei o candidato da maioria presidencial e desejo juntar-me a este movimento. Porque eu sou um republicano, porque eu sou um homem de esquerda, porque eu ainda sou socialista, porque eu não vou negar 30 anos de compromisso político, porque também já tive essa responsabilidade, e porque sei que é difícil governar a França”, justificou Valls em entrevista à estação de rádio RTL.

O ex-primeiro-ministro recusou estar em causa uma emboscada, desejando o “sucesso” do antigo ministro da Economia francês como chefe de Estado do país.

Entretanto, o porta-voz do partido República em Marcha – até agora conhecido como movimento Em Marcha –, Benjamin Griveaux, disse na Europe 1 que Manuel Valls não apresentou ainda a sua candidatura. “Ele deveria ter apresentado a sua candidatura à Comissão Nacional, porque a regra é a mesma para todos. Mas tem ainda 24 horas para o fazer”, afirmou o responsável.

Manuel Valls considerou que a vitória de Macron nas presidenciais deste domingo foi também importante porque travou o populismo na Europa, lamentando que a candidata da extrema direita e líder da Frente Nacional Marine Le Pen tenha deixado uma “péssima imagem” do país.

Durante a campanha para as presidenciais, o ex-primeiro-ministro do Governo Hollande decidiu apoiar Emmanuel Macron em vez do candidato do PS, Benoît Hamon, alegando que Macron era o único candidato capaz de vencer frente a Marine Le Pen.

Após a derrota do candidato socialista na primeira volta, Manuel Valls reiterou que o mau resultado do PS confirmava a sua opinião sobre a situação do partido. “É o fim de uma história. Desde 1992 e do referendo de Maastricht, não aprendemos a lição. Deixámos que as divisões se instalassem. Não definimos bem o que a esquerda é e estamos a pagar agora o preço”, afirmou o ex-primeiro ministro francês, em declatações à France-Inter.

O centrista Emmanuel Macron venceu no domingo a segunda volta das presidenciais francesas, com 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata de extrema-direita Marine le Pen.