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Macron tem cinco semanas para ganhar o país

David Ramos / Getty Images

Emmanuel Macron é o mais jovem e o mais inexperiente Presidente da histôria da República francesa. Foi eleito chefe de Estado depois de uma campanha que eliminou dois Presidentes e três chefes de Governo

“O impossível não é francês”. A expressão, atribuída a Napoleão I, aplica-se ao caso de Emmanuel Macron. Quem diria, até há poucos meses, que este ex-banqueiro e fugaz ex-ministro da Economia de um governo do mandato do Presidente cessante François Hollande, totalmente desconhecido até há cerca de três anos, seria eleito Presidente da República da França? Foi eleito e bem, com mais de 66% dos votos, segundo resultados ainda não oficiais.

Emmanuel Macron, 39 anos, é o mais jovem e mais inexperiente Presidente da história da República francesa. Chega ao Eliseu depois de uma longa campanha eleitoral, repleta de sobressaltos e surpresas, que eliminou dois Presidentes, um deles ainda o será por mais uma semana (François Hollande e Nicolas Sarkozy), e três antigos primeiros-ministros (Manuel Valls, François Fillon e Alain Juppé).

Na manhã desta segunda-feira, os jornais sublinham esse acontecimento histórico. O popular “Le Parisien” realça que a França desejou a renovação da classe política e o “Libération” fez excecionalmente uma dupla manchete: uma com “boa malha” e a foto de Macron de frente, e outra com “bem feito” e a imagem da sua adversária, Marine le Pen, de costas. “A ascensão fulgurante de Emmanuel Macron, um homem apressado”, escreve pelo seu lado “Le Figaro”, num dos seus títulos.

A maioria dos comentadores franceses sublinha, no entanto, que cerca de metade dos eleitores de Macron votou mais para barrar o caminho do Eliseu à líder nacionalista da Frente Nacional do que por adesão ao programa ou à personalidade do novo chefe de Estado, que tomará posse até ao próximo domingo.

Por esse motivo, o novo Presidente Macron vai iniciar o seu mandato sem conhecer um estado de graça, tal como aconteceu há cinco anos com François Hollande, que também chegou ao Eliseu porque os franceses desejaram sobretudo, na altura, eliminar Nicolas Sarkozy.

Macron vai ter agora de nomear um primeiro-ministro e um governo o mais consensuais possíveis de forma a conseguir ganhar as legislativas de 11 e 18 de junho e, dessa forma, poder contar com uma maioria no Parlamento que lhe permita dirigir o país. Uma nova vitória sua nestas eleições, que serão uma espécie de terceira volta das presidenciais, não será fácil. Mas não é impossível. Ele acaba de provar isso com a sua ascensão fulgurante e meteórica na cena política francesa.