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Le Pen promete “transformação profunda” da Frente Nacional no rescaldo da derrota

Sylvain Lefevre

Apesar de não ter alcançado a meta de 40% dos votos definida por ela própria, a líder da extrema-direita francesa aproveitou o discurso da derrota para celebrar o resultado “histórico e massivo” do seu partido. Agora, define-se como a líder da “primeira força política da oposição” a Emmanuel Macron, numa França dividida entre “mundialistas e patriotas”, de olhos postos nas legislativas de junho

Marine le Pen pode ter saído derrotada da corrida presidencial contra Emmanuel Macron em França mas, no seu momento da verdade, aproveitou o discurso deste domingo em que admitiu a derrota para celebrar o resultado "histórico e massivo" do seu partido de extrema-direita, a Frente Nacional (FN).

Apesar de não ter alcançado a meta dos 40% de votos na segunda e última volta eleitoral deste domingo, que ela própria tinha definido – e apesar de ter sido a segunda candidata a angariar menos votos na história presidencial francesa, apenas ultrapassada pelo seu pai Jean-Marie Le Pen, quando este perdeu o segundo turno das eleições para Jacques Chirác em 2002 – Marine le Pen celebrou o facto de mais de 10 milhões de franceses terem votado na FN (34,5% dos eleitores contra os 65,5% que votaram no centrista independente).

Contudo, e depois de uma campanha em que declarou que ia afastar-se das lides da FN para se concentrar na corrida contra Macron, reconheceu que "a Frente Nacional tem de renovar-se". Às poucas centenas de apoiantes que se concentraram na sua sede de campanha em Paris, domingo à noite, para conhecerem os resultados à boca de urna, Le Pen anunciou que, "por causa disso", vai "dar início a um processo de transformação profunda do movimento", convidando "todos os patriotas" a juntarem-se a ela – na sua própria visão, chefe da "primeira força política da oposição" ao novo Presidente.

Parte dessa transformação, avançaria depois Florian Philippot, vice-presidente da FN, vai passar por alterar o nome do movimento nacionalista e xenófobo fundado por Jean-Marie em 1972 e liderado pela sua filha desde 2011 (quatro anos depois, já Marine estava investida numa operação de maquilhagem para dar a ideia de amenização do partido racista e antissemita, Jean-Marie foi expulso por ela).

"Marine le Pen disse-o claramente: a Frente Nacional vai mudar", declarou Philippot, um dos grandes arquitetos da plataforma anti-União Europeia da FN. "Vai transformar-se numa nova força política que, necessariamente, não terá o mesmo nome."

As promessas de Le Pen, que este domingo descreveu o novo cenário político em França como um que opõe "mundialistas e patriotas", surgem quando falta pouco mais de um mês para as eleições legislativas do país, nas quais a FN pretende alcançar o máximo de assentos parlamentares da sua história. Neste momento, a FN tem dois deputados na Assembleia e o recém-criado partido Em Marcha! de Macron não tem nenhum.

Uma sondagem divulgada antes da última volta presidencial apontava no final da semana passada que, se as legislativas fossem hoje, a FN conseguiria eleger entre 15 e 25 deputados, ficando quase ao nível do defunto Partido Socialista de François Hollande (entre 28 e 43 assentos), um dos grandes derrotados nestas presidenciais. O grande vencedor seria o Em Marcha!, com entre 249 e 286 deputados eleitos, ficando muito perto da maioria absoluta e muito à frente dos restantes partidos, incluindo Os Republicanos de Nicolas Sarkozy.