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Internacional

Hamas procura aceitação internacional com novo líder

Suhaib Salem/Reuters

Analistas consideram que a eleição de Ismaïl Haniyeh para a liderança da organização palestiniana que controla a Faixa de Gaza e é acusada de terrorismo visa melhorar a imagem do Hamas

A eleição de Ismaïl Haniyeh no domingo para a liderança do movimento islamita Hamas está a ser encarada como um sinal de moderação da organização palestiniana, numa tentativa de obter aceitação internacional.

A nova liderança do Hamas surge dias depois de o movimento ter anunciado, pela primeira vez na sua história, uma mudança no seu programa político, no qual diz aceita um Estado palestiniano limitado às fronteiras de 1967.

“Ismaïl Haniyeh é a pessoa mais indicada para promover o documento junto dos líderes árabes e internacionais”, referiu Mukhaimer Abu Saada, especialista em política da Faixa de Gaza, em declarações à agência France Presse. Nascido em 1963, Haniyeh sucede no cargo a Khaled Mechaal, que cumpriu os dois mandatos máximos autorizados pelo movimento.

Haniyeh ganhou a eleição contra Moussa Abu Marzouk e Mohamed Nazzal, após uma votação por videoconferência dos membros da shura em Gaza, na Cisjordânia e fora dos territórios palestinianos. Ao contrário de seu antecessor, Haniyeh permanecerá no pequeno enclave, sob bloqueio israelita há mais de uma década, para dirigir o movimento.

O Hamas, que detém o poder na Faixa de Gaza, é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Haniyeh é visto como possível alternativa a Mahmud Abbas, Presidente do Estado da Palestina, atualmente com 82 anos e que tem vindo a perder popularidade. Os analistas frisam ainda que os recentes passos podem abrir caminho para o Hamas aderir à Organização para a Libertação da Palestina.