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Quarto norte-americano detido na Coreia do Norte

Kim Jong-un, líder corte-coreano, de visita a um destacamento militar, na ilha de Jangjae, a 5 de maio

KCNA / Reuters

A agência norte-coreana anunciou a detenção de um homem com cidadania norte-americana por “atos hostis”. Washington acusa Pyongyang de prender os seus cidadãos com objetivos políticos

Margarida Mota

Jornalista

Serão já quatro os cidadãos norte-americanos detidos na Coreia do Norte acusados de “atos hostis”. Este domingo, a agência estatal norte-coreana KCNA noticiou a detenção de Kim Hak-song, funcionário da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang, instituição inaugurada em 2010 e financiada por grupos cristãos evangélicos estrangeiros.

A confirmar-se — o Departamento de Estado norte-americano ainda não se pronunciou sobre o caso —, trata-se do quarto caso de cidadãos dos EUA detidos pelas autoridades de Pyongyang por suspeitas de atos contra o Estado.

A 22 de abril, foi detido no aeroporto de Pyongyang Kim Sang-duk (Tony Kim, no seu nome americano), professor na mesma universidade, a quem foram atribuídos “atos criminosos hostis destinados a derrubar a República Democrática da Coreia”.

Os outros dois norte-americanos detidos são Otto Warmbier, um estudante da Universidade da Virginia de 22 anos, condenado, no ano passado, por tentativa de roubo de material de propaganda do hotel onde estava hospedado e condenado a 15 anos de trabalhos forçados. E ainda Kim Dong-chul a cumprir uma pena de prisão de 10 anos por espionagem.

Washington acusa Pyongyang de deter nacionais seus para usá-los como arma política. Dada a inexistência de uma embaixada dos EUA em Pyongyang — os dois países não têm relações formais —, o assunto é tratado através da representação diplomática da Suécia.

“Todas as opções estão sobre a mesa”

As mais recentes detenções aconteceram num período de grande tensão entre EUA e Coreia do Norte, com ameaças mútuas no sentido de um conflito bélico. A Coreia do Norte tem realizado sucessivos testes com armas nucleares que têm lançado o nervosismo sobretudo na região Ásia-Pacífico. Em resposta, os Estados Unidos mandaram recentemente para a região um porta-aviões e um submarino, com o recado de que “todas as opções estão sobre a mesa”.

Na sexta-feira, Pyongyang acusou a CIA e os serviços secretos da Coreia do Sul de tentativa de assassínio do líder norte-coreano Kim Jong-un com recurso a armas bioquímicas.

Ao estilo imprevisível que o caracteriza, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou recentemente que sentir-se-ia “honrado” em encontrar-se com o homólogo norte-coreano “nas circunstâncias certas”.

A Península da Coreia está tecnicamente em guerra há mais de 60 anos. Norte e Sul travaram uma guerra entre 1950 e 1953, um dos mais acesos “conflitos por procuração” dos tempos da Guerra Fria - os Estados Unidos apoiaram Seul e a União Soviética Pyongyang.

O conflito terminou com a assinatura de um armistício, mas nunca foi assinado um tratado de paz. A tensão é permanente e, de tempos a tempos, ameaça arrastar toda a região para um conflito no Pacífico.