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Obama. Uma biografia polémica, “aborrecida e, no fim de contas, injusta”

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No próxima terça-feira chega às bancas uma nova biografia de Barack Obama. A obra, não autorizada, descreve ao longo de 1400 páginas a juventude do 44º presidente dos EUA.

Escrito por um historiador e autor que venceu um prémio Pulitzer, David J. Garrow, o livro "Rising Star – The Making of Barack Obama" promete agitar as águas editoriais norte-americanas já a partir desta terça-feira. Descrita pelo New York Times como "aborrecida e, no fim de contas, injusta", a biografia debruça-se sobre os anos de juventude do antecessor de Donald Trump na presidência norte-americana, os seus anos formativos. O autor entrevistou mais de mil pessoas. Há excertos de cartas a amigos, entrevistas a ex-namoradas e algumas revelações mais ou menos picantes...

Aluno brilhante da Faculdade de Direito de Harvard, descrito como ambicioso e trabalhador, o jovem Barack escreve, em 1986, a uma ex-namorada: "Parei de comer amendoins, trabalho que nem um louco, ainda escrevo quando tenho tempo". Percebe-se que Obama tem gosto pela escrita, tendo até feito incursões na ficção, embora isso não o satisfaça: "Ainda tenho uma certa ambivalência relativamente à escrita e à arte enquanto vocação".

Ao jovem Obama não faltaram namoros e aventuras. Uma das ex-namoradas que maior contributo dá ao longuíssimo livro de 1460 páginas é Sheila Miyoshi Jager, na altura estudante de antropologia e atual professora universitária a viver no Ohio. Aparentemente, Obama tê-la-á pedido em casamento duas vezes. Os críticos torcem o nariz a este testemunho, que garantem estar cheio do ressabiamento típico entre exs. Outra ex-namorada, a australiana Genevieve Cook, conta que Barack era adepto de fumar canábis em festas e eventos sociais e que uma vez terá mesmo experimentado cocaína. Mas não é isso, convenhamos, que o torna diferente dos jovens da sua geração.

Retrato de família de Barack Obama enquanto jovem. Com o padrasto, indonésio, a mãe, norte-americana, e a irmã, Maya. Nascido no Hawai, criado na Indonésia e nos EUA, Barack cresceu sempre entre culturas diferentes

Retrato de família de Barack Obama enquanto jovem. Com o padrasto, indonésio, a mãe, norte-americana, e a irmã, Maya. Nascido no Hawai, criado na Indonésia e nos EUA, Barack cresceu sempre entre culturas diferentes

Handout .

Obama já tinha escrito dois livros em nome próprio. O primeiro, "Sonhos do meu Pai", reúne memórias íntimas de muita da sua história. Neste, Barack assume as suas dificuldade em perceber a verdadeira pertença, enquanto filho de pai negro, com quem nunca cresceu, e mãe branca. Capturado entre culturas, Obama é um negro criado como um branco, com acesso à cultura e à vida profissional dos brancos. A questão do racismo é desenvolvida pelo autor. Garrow afirma que as namoradas brancas de Obama nunca foram "levadas a sério" para efeitos de casamento, já a pensar numa futura carreira política - e no peso que teria um casal negro versus um casal misto. A união com Michelle Obama – que Barack conheceu na firma de advogados Sidley Austin - é descrita como uma parceria de poder, mais do que um envolvimento amoroso. Em 1992, o casal oficializou a sua união e hoje estão prestes a celebrar as bodas de prata (que assinalam 25 anos de união). Nisso, o autor deste livro gigante não se enganou: o casal Obama consolidou-se efetivamente como um casal poderoso, na mensagem e no carisma. Quanto aos restantes pormenores, a sua relevância ficará ao critério dos leitores.