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Macron 
e Hamon dividem PS português

O candidato socialista Benoît Hamon, derrotado na primeira volta das presidenciais em França, reconheceu uma "sanção histórica"

JULIEN DE ROSA

Socialistas portugueses estão preocupados com perspetiva de implosão do PS francês, ganhe Marine Le Pen ou Emmanuel Macron: “Será um milagre se não se partir todo”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

As eleições presidenciais em França preocupam os socialistas portugueses, que não só se mostram divididos entre os candidatos da sua área como, mais do que isso, antecipam um cenário de implosão do partido “irmão” depois das eleições. Ganhe Marine Le Pen ou Emmanuel Macron, esse dado é considerado como adquirido. E apontam o dedo a um processo de primárias mal conduzido, que acabou por desunir em vez de agregar. Preveem a vitória de Macron e a posterior desagregação do PSF.

Quanto a votos, não há unanimidade. Só se for na indecisão: entre Macron, o ex-socialista e ex-ministro da Economia de François Hollande, que saiu do Governo e do partido para fundar o seu movimento e que as sondagens mostram com mais hipóteses para enfrentar Marine Le Pen; e Benoît Hamon, o eleito nas primárias do PS e seu candidato oficial e que os mesmos estudos de opinião dão em queda, face a um mais radical Jean-Luc Mélenchon.

A exceção é a eurodeputada Ana Gomes, que apoia Hamon e tomou posição pública em seu favor. Sua colega no Parlamento Europeu diz ao Expresso que “ele era dos bons”. Explica que “a escolha dos militantes franceses foi minada por dentro”, apontando o dedo a figuras relevantes do PSF, como o Presidente Hollande, a ministra e ex-candidata presidencial Ségolène Royal e o ex-PM Manuel Valls. “Sem apoios, Hamon ficou vulnerável e acantonado”.

Porfírio Silva, membro do secretariado do PS, tem críticas em relação ao processo mas não dilemas de alma: mesmo sabendo que Macron é o mais bem colocado para bater Le Pen, votaria Hamon na primeira volta. “Fazendo uma equivalência, voto sempre no candidato do meu partido, mesmo que não concorde com ele”.

Para Porfírio, foi grave a atitude de Valls, que se apresentou nas primárias contra Hamon, perdeu, e não respeitou no resultado fazendo um acordo com Macron. “Será um milagre se o PSF não se partir todo”, afirma. “O PSF está em desagregação, balcanizado, e a presidência de Hollande fez esboroar a esquerda. Há décadas que este partido tem fracos elementos federadores”, acrescenta. Está esperançado num cenário de vitória de Macron na segunda volta, porque este para governar precisará do PSF e poderá ajudar a refazê-lo — mesmo partindo-o. E aqui coincide com Ana Gomes, para quem “se calhar, tem de haver essa separação de águas”.

O deputado Eurico Brilhante Dias teria também dificuldades em escolher um candidato: “Hamon é um perdedor, não agrupa e Macron contribui para a dissolução do PSF”. Assumidamente mais próximo deste último, considera porém que ele foi um elemento de desagregação do partido ao furtar-se às primárias. Mesmo ganhando as presidenciais, haverá sempre uma parte do PSF que não o aceitará: “A esquerda francesa está em processo de refundação”.

Vitalino Canas estaria igualmente hesitante entre Macron e Hamon, embora não se sinta tão vinculado à escolha partidária. Não duvida de que há um risco de governabilidade que resulta da possível eleição de Macron: “A França vai ser interessante do ponto de vista democrático, mas preocupante do ponto de vista socialista”.