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Mulheres marcham em Caracas, estudantes derrubam estátua de Chávez

CARLOS GARCIA RAWLINS / REUTERS

Milhares de mulheres marcham em Caracas este sábado contra a repressão na Venezuela, um dia depois de ter morrido mais um manifestante no país e de um grupo de estudantes ter destruído uma estátua do falecido Presidente Hugo Chávez

Mais de 20 mil venezuelanas marcham na capital, Caracas, contra a repressão nas manifestações dos opositores ao regime, noticia o jornal espanhol “El Mundo”. De branco e com bandeiras e flores na mão, numa alusão às Damas de Branco de Cuba (que lutam contra a repressão e pela libertação dos presos políticos), levam consigo cartazes que apelam à paz e onde estão escritos os nomes das 37 pessoas que morreram na nova vaga de protestos na Venezuela que teve início em abril.

“Esta luta é nacional, estão a violar a Constituição e aqui vai haver reconciliação”, disse a deputada Marialbert Barrios a dezenas de mulheres polícias nas ruas que, ao bloquear algumas artérias da cidade, obrigaram a manifestação - que deveria seguir de uma praça na zona leste da capital até ao Ministério do Interior e Justiça - a mudar a sua rota.

Como habitualmente, o Governo organizou uma contra-manifestação de última hora: dezenas de apoiantes do Presidente concentraram-se na parte ocidental da cidade para protestarem contra aquilo que consideram o “terrorismo” da Mesa de la Unidad Democrática (MUD), a coligação dos partidos da oposição.

Estudantes destroem estátua de Chávez

A marcha das mulheres pela paz, este sábado, surge na sequência de uma semana de protestos que aumentaram o número de mortos e feridos e tiveram como destaque a destruição de uma estátua de Hugo Chávez.

A 790 quilómetros de Caracas, na localidade venezuelana de Villa del Rosário, um grupo de estudantes do liceu Júlio César Salar derrubou e incendiou uma estátua do antigo e falecido Presidente, localizada numa praça pública perto do edifício da câmara municipal. Os estudantes destruíam assim esta sexta-feira a imagem do impulsionador da revolução bolivariana, que liderou a Venezuela entre 1999 e 2013.

“Os estudantes destruíram esta estátua de Chávez”, afirmou à imprensa local Carlos Valero, jurista da oposição, citado pela Reuters. “Acusam-no, corretamente, de destruir o seu futuro.”

O vídeo, que mostra a estátua do ex-Presidente num ato de saudação a ser destruída e queimada pelos estudantes, foi divulgado nas redes sociais. Os manifestantes provocaram ainda danos no edifício da câmara municipal e num escritório de notariado. Além disso, queimaram uma portagem, acabando por ser reprimidos pela Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militar da Venezuela.

Os manifestantes reclamam a libertação dos presos políticos, a convocação de eleições gerais e o fim da repressão, num país marcado por uma grave crise política e económica.

Número de mortes aumenta nas ruas

Em Valencia, os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes de oposição ao regime provocaram mais uma morte. Hecder Lugo, de 20 anos, foi alvejado na cabeça esta quinta-feira, acabando por morrer no dia seguinte. Os confrontos provocaram mais quatro feridos, segundo adiantou um autarca local citado pela Reuters.

Esta é a 37ª morte desde que as manifestações contra o regime de Nicolás Maduro se intensificaram na Venezuela no início de abril. Cerca de 717 pessoas ficaram feridas e 152 estão presas na sequência dos protestos no país.