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Primeiro avião a jato de passageiros “made in China” fez a sua estreia

REUTERS

É o primeiro passo para a China deixar de ter o seu muito apetecível mercado da aviação civil dependente dos Airbus e Boeing. O C919 tem capacidade para 168 passageiros e uma autonomia de voo de cerca de 5000 quilómetros

O voo de estreia do C919, que partiu esta sexta-feira do aeroporto internacional Xangai Pudong, representa a concretização de algo que a China estava a tentar desde os anos 1970, a criação de um grande aparelho de aviação civil.

O bimotor da Corporação de Aviação Comercial da China (CACC) tem capacidade para 168 passageiros e uma autonomia de voo de cerca de 5000 quilómetros e foi concebido para vir a competir com os Airbus 320 e os Boeing 737, nomeadamente no muito apetecível mercado chinês de aviação civil.

No ano passado, a Boeing previu que as companhias aéreas chinesas vão investir cerca de um bilião de euros em novos aparelhos nas próximas duas décadas, necessitando de 6800 aviões. Em 2024, a China deverá ter superar os Estados Unidos, tornando-se o maior mercado de aviação do mundo.

A CACC já recebeu 570 encomendas do aparelho, 90% das quais do mercado interno, mas ainda deverá demorar algum tempo até que o C919 esteja preparado para competir em pleno mercado.

Por agora foram produzidos apenas dois aparelhos para voos de testes e em 2019 devem ser produzidos mais quatro. Depois, o C919 terá ainda de passar nos testes para obter a certificação para poder voar no espaço aéreo chinês, estando também em processo para ser certificado pelos reguladores norte-americanos e europeus.

A China investiu nos anos 1970 na criação do Y-10, mas esse aparelho acabou por ser considerado inviável, nunca chegando a tornar-se numa realidade.

A companhia estatal CACC foi criada em 2008 com o objetivo de concretizar esse velho sonho. O Presidente Xi Jinping manifestou o seu apoio ao projeto, visitando as instalações da CACC em 2013, mesmo antes de ter assumido a chefia de Estado.

O voo inaugural era suposto ter ocorrido no ano passado, mas atrasos diversos forçaram o adiamento desta data histórica. “Por estes dias, a China consegue fazer tudo, é extraordinário”, afirmou um dos repórteres da televisão chinesa CGTN, que deu destaque ao voo inaugural de 90 minutos, esta sexta-feira.