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Apoio a Macron sobe para 62% depois do debate com Le Pen

Macron foi a Rodez encerrar uma campanha que as sondagens anteveem que vai garantir-lhe a presidência

JOSE TORRES

Terminam esta sexta-feira as campanhas dos dois candidatos que vão disputar a segunda e última volta das presidenciais francesas este domingo

Ao contrário do que aconteceu com o Brexit no Reino Unido e com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as sondagens em França conseguiram antecipar corretamente que a segunda volta das presidenciais francesas, marcada para este domingo, ia ser disputada pelo independente Emmanuel Macron e pela líder da Frente Nacional (extrema-direita), Marine Le Pen. E se dúvidas houvesse, novas sondagens publicadas esta manhã confirmam que deverá ser Macron o próximo Presidente francês.

Depois de um debate rancoroso e carregado de ataques de parte a parte, o único entre os dois candidatos antes da última volta eleitoral, os apoios ao líder do recém-criado movimento "En Marche!" subiram, contra um decréscimo de apoio a Le Pen.

No rescaldo do debate, mais de 60% dos franceses que assistiram ao frente a frente e que participaram num curto inquérito de opinião da Elabe para o canal francês BFMTV, tinham dito que acharam que Macron foi "mais convincente" do que a rival.

Agora que faltam dois dias para a ida às urnas, uma nova sondagem também da Elabe para o mesmo canal e para o "L'Express" aponta que 62% dos eleitores vão votar em Macron, contra apenas 38% que dizem apoiar a líder da extrema-direita. Tudo aponta, contudo, que a grande protagonista destas eleições vá ser a fraca participação do eleitorado, com as sondagens a anteciparem uma taxa de abstenção acima dos 30%, superior a qualquer das que foram registadas em segundas voltas presidenciais em França desde a década de 1970.

Esta quinta-feira, na véspera do encerramento das campanhas eleitorais, os dois candidatos continuaram a tentar angariar votos, sobretudo entre os cerca de 18% dos franceses que continuam indecisos. Macron visitou a cidade de Rodez, no sul, já depois de ter anunciado a abertura de um processo judicial por causa de rumores de que tem uma conta secreta offshore nas Caraíbas.

A acusação tinha sido feita por Le Pen no debate televisivo da véspera e foi de imediato repescada por inúmeros utilizadores cibernéticos que apoiam a nacionalista ou que, mesmo não a apoiando, são críticos do candidato centrista pró-União Europeia.

Também esta quinta-feira, Marine le Pen participou num comício de campanha em Brittany, onde um grupo de opositores lhe atirou ovos. O comício teve lugar horas depois de o ex-Presidente norte-americano Barack Obama ter decidido apoiar publicamente o rival da líder da FN à presidência francesa, elogiando num vídeo os "valores liberais" de Macron e o facto de "apelar às esperanças das pessoas e não aos seus medos".

No rescaldo do debate de quarta-feira, não foi só entre os eleitores comuns que Le Pen saiu a perder. O seu pai, Jean-Marie le Pen, que cofundou o partido e que foi dele afastado pela filha em 2015, disse que Marine "não esteve à altura da ocasião" no frente a frente com Macron. Karim Ouchikh, dirigente do SIEL, um pequeno partido próximo da FN, acusou a candidata de recorrer a argumentação "indigente". E Jérôme Rivière, que integra as listas do movimento de extrema-direita para as legislativas de junho, disse estar "desiludido" com a sua prestação.