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Internacional

Trump vai ver o Papa

JIM LO SCALZO/ EPA

Vaticano será a primeira visita de Estado de Donald Trump

Já trocaram fortes palavras, mas nunca pessoalmente. Agora, vão apertar as mãos, partilhar o mesmo espaço e estar cara a cara. O Papa Francisco vai receber Donald Trump no Vaticano. A informação foi confirmada esta quinta-feira pela Santa Sé e também pela Casa Branca. A primeira viagem oficial de Estado como Presidente norte-americano tem ainda outras paragens marcadas: Bruxelas, Sicília, Israel e Arábia Saudita.

“Num momento em que a família humana é assolada por graves crises humanas, que exigem respostas políticas clarividentes e unidas, rezo para que as suas decisões sejam guiadas pelos ricos valores espirituais que moldaram a história do povo americano”, justificou Francisco.

O encontro está marcado para o dia 24 de maio logo pela manhã, às 8h30 (7h30 em Lisboa). Não deverá ser um encontro muito longo, pois Francisco tem de presidir à audiência geral das quartas-feiras, marcada para as 10h (9h, em Lisboa).

Francisco e Trump têm desacordado sobretudo num ponto: migração. Se por um lado o Presidente norte-americano tem tentado consecutivamente travar a chegada de cidadãos de determinados países aos EUA, ao assinar várias ordens executivas (que têm sido proibidas pelos tribunais e que a Casa Branca recusa ser uma política anti-imigração). Já o Papa tem apelado frequentemente para que os migrantes seja integrados e apoiados nos novos países.

Francisco no avião papal no dia da viagem ao México, a 18 de fevereiro de 2016

Francisco no avião papal no dia da viagem ao México, a 18 de fevereiro de 2016

ALESSANDRO Di MEO/ Reuters

A relação de ambos os chefes de Estado ficou marcada por um episódio a 18 de fevereiro de 2016, quando Francisco viajava para o México e Trump estava em plena campanha eleitoral. No avião papal, questionado pelos jornalistas, disse que alguém que constrói muros não poderia ser um cristão.

“Uma pessoa que pensa apenas em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes não é um cristão”, disse Francisco, que recusou sempre falar em candidatos preferidos nas eleições norte-americanas. “Devemos dar-lhe o benefício da dúvida” , acrescentou.

E tal como acontece agora, na altura Donald Trump não ficou calado e recorreu às redes sociais para responder ao Papa: “Se o Vaticano vier a ser atacado pelo Daesh, que toda a gente sabe que é o prémio maior do Daesh, posso prometer que o Papa só desejará e rezará para que Donald Trump seja Presidente, porque esse ataque nunca aconteceria. O Daesh seria erradicado”. “Para um líder religioso, é uma desgraça questionar a fé de uma pessoa. Tenho orgulho de ser cristão e enquanto Presidente não permitirei que o cristianismo seja constantemente atacado e enfraquecido, ao contrário do que está acontecer agora. Nenhum líder, especialmente um líder religioso, deve ter o direito de questionar a fé de outro homem”, escrevia Trump há um ano, acusando ainda Francisco de estar a ser usado como um peão de um jogo, de estar a ser manipulado pelo Governo mexicano.

Mas a passagem do Presidente norte-americano pela Europa não se resume apenas ao Vaticano. Donald Trump irá ainda marcar presença no encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), dia 25, em Bruxelas. No dia seguinte, estará na ilha italiana da Sicília, onde participa na Cimeira do G7 com representantes do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido.

Um piscar de olho ao Médio Oriente

Ainda antes de regressar aos Estados Unidos, Trump irá passar pela Arábia Saudita e Israel. Segundo o Politico, a Casa Branca considerou a viagem “um encontro histórico”.

“A Arábia Saudita é a guardiã de dois dos lugares mais sagrados do Islão e será ali que vai ser construído uma nova fundação para cooperação e apoio dos aliados muçulmanos, para combater o extremismo, terrorismo e violência. Para abraçar um futuro mais esperançoso para os jovens muçulmanos e os seus países”, disse um responsável da administração norte-americana.

Na semana passada, as autoridades israelitas confirmaram as conversações com a Casa Branca para agendar a visita de Trump. “A nossa tarefa não será ditar a forma como os outros vivem, mas construir uma coligação com os amigos e parceiros que partilham o objetivo de combater o terrorismo e trazer segurança, oportunidades e estabilidade ao Médio Oriente devastado pela guerra”, referiu ainda o funcionário da presidência ao Politico.