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Trump convenceu Macri a não condecorar Jimmy Carter com a mais alta distinção da Argentina

Jimmy Carter com a mulher, Rosalynn, na tomada de posse de Donald Trump a 20 de janeiro de 2017

Pool

Governo de Mauricio Macri tinha anunciado que ia distinguir o antigo Presidente dos Estados Unidos, mas de acordo com a CNN reverteu essa decisão a pedido da atual administração norte-americana

"Sob a sugestão de Donald Trump, o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, terá desistido de laurear com a medalha da Ordem do Libertador San Martín, a mais elevada distinção oficial daquele país, o antigo Presidente Jimmy Carter, que liderou os Estados Unidos entre 1976 e 1981."

Assim avançou a CNN espanhola há uma semana, numa notícia que foi repescada pelos media norte-americanos e argentinos, caso do Alternet e do "Buenos Aires Herald", a propósito da visita oficial de Macri aos EUA que ocorreu entre 26 e 27 de abril.

Trump recebeu Macri na Sala Oval da Casa Branca há uma semana

Trump recebeu Macri na Sala Oval da Casa Branca há uma semana

Win McNamee

A versão em espanhol do canal norte-americano avança que, "de acordo com um comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argentina, foi o ex-embaixador dos EUA em Buenos Aires, Martin Lousteau, quem propôs condecorar o antigo Presidente americano com a Ordem do Libertador San Martín. De acordo com alguns meios de comunicação locais na Argentina, foi debatido se seria Lousteau enquanto embaixador a atribuir a condecoração [a Carter], mas foi decidido que seria o Presidente Macri a fazê-lo em Washington durante a sua visita oficial".

A assessora de Carter, Deanna Congileo, disse à CNN que, neste momento, não tem detalhes sobre a atribuição da medalha ao democrata que liderou os Estados Unidos entre o final da década de 1970 e o início da década seguinte. Apesar de ter sido publicamente difundido que Carter ia ser condecorado com a mais alta distinção da Argentina, Congileo diz que, por ora, não pode confirmar se isso se vai materializar.

"O tributo oficial, que já tinha sido aprovado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e publicado na "Gazeta Oficial", foi cancelado depois de [o governo Macri] ter recebido um pedido específico do governo norte-americano [de Donald Trump], onde era sugerido que é melhor adiar [a atribuição da medalha]", aponta o "Buenos Aires Herald". "Carter ia receber a distinção pelo seu trabalho de promoção dos direitos humanos durante a última ditadura militar da Argentina. Depois de ter sido informado da decisão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros voltou a pedir ao Presidente Macri que laureasse [Carter] apesar da rejeição do governo Trump."

A informação foi avançada sob anonimato por uma fonte daquele ministério ao jornalista da CNN David Cox. Outra fonte do MNE diz que a decisão de adiar a condecoração de Carter para uma data a definir se deveu ao facto de a viagem de Macri a Washington durar tão pouco tempo.