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Internacional

Novos confrontos entre manifestantes e polícia agravam situação na Venezuela

JUAN BARRETO

Pelo menos um manifestante morreu esta quinta-feira em protestos renovados contra o governo de Nicolás Maduro, depois de este ter anunciado a intenção de criar uma assembleia popular para "reescrever" a Constituição

Os manifestantes que se opõem ao governo de Nicolás Maduro e a polícia de choque mobilizada nas ruas de Caracas e de outras cidades da Venezuela voltaram a entrar em confrontos esta quarta-feira, ecoando cenas de caos e violência que têm marcado cada vez mais a atualidade do país desde o final de março.

Na capital, um protesto que começou de forma pacífica, com uma marcha de milhares de pessoas em direção ao Parlamento, foi tomado por jovens com máscaras que atiraram pedras e bombas incendiárias contra as forças de segurança. Um manifestante adolescente morreu na sequência do uso de balas de borracha e de canhões de água pela polícia, aponta esta manhã a BBC.

Mais de 30 pessoas já perderam a vida nos confrontos desde que a população se começou a mobilizar nas ruas contra o que diz serem tentativas do Presidente para se agarrar ao poder, impedindo eleições livres e democráticas e contornando a Assembleia Nacional (Parlamento), atualmente controlada pela oposição ao PSUV de Maduro.

No rescaldo dos novos protestos e confrontos, o governo avisou os manifestantes de que o seu direito de protestar nas ruas não é absoluto. Na televisão, o ministro da Justiça e do Interior, Nestor Reverol, avisou que os responsáveis pelo recente bloqueio de autoestradas, depois de grupos de manifestantes terem criado barricadas nos principais acessos à capital entre terça e quarta-feira, podem ser condenados a penas de até oito anos de prisão.

Há mais de um mês que parte da população venezuelana tem saído às ruas, diariamente, contra o governo de Maduro, em cenas caóticas e episódios de violência que já levaram à detenção de mais de 1500 pessoas, com ONG como a Amnistia Internacional a condenarem a perseguição e tortura dos opositores detidos.

Esta semana, os protestos ganharam novo fôlego depois de o Presidente ter anunciado que vai criar uma "assembleia popular constituinte" de 500 membros, que não podem pertencer aos partidos da oposição e que serão responsáveis por "reescrever" a Constituição. Esta quarta-feira, num discurso na sede do Conselho Nacional Eleitoral, Maduro disse que as eleições para essa assembleia cidadã vão ter lugar dentro de poucas semanas.

Desde que Maduro substituiu Hugo Chávez no poder, depois de o popular líder ter morrido em 2013, a queda dos preços do petróleo exportado pela Venezuela, um dos pilares fundamentais da economia do país, conduziu a uma crise social e económica de enormes proporções, com grande parte da população a sofrer com a profunda escassez de bens essenciais, como comida e medicamentos.

Ao longo dos últimos anos, o governo de Maduro também contraiu dívidas que, neste momento, ameaçam fazer a inflação disparar acima dos 700% do PIB até ao final do ano fiscal corrente, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional. Os manifestantes e os partidos da oposição querem Maduro fora do poder e eleições presidenciais antecipadas, mas para já estas continuam a estar previstas apenas para o final de 2018.