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Macron “mais convincente” que Le Pen no frente a frente antes das eleições

ERIC FEFERBERG / EPA

De acordo com uma sondagem para a BFMTV no rescaldo do debate de quarta-feira à noite, a maioria dos telespectadores ficou mais impressionada com o candidato independente do que com a líder da extrema-direita

Emmanuel Macron, o ex-banqueiro e candidato independente ao Eliseu que, no próximo domingo, vai disputar a segunda e última volta eleitoral com Marine le Pen, conseguiu impressionar mais eleitores com a sua prestação no debate televisivo desta quarta-feira à noite, o único antes da ida às urnas.

De acordo com uma sondagem da Elabe para o canal francês BFMTV, 63% dos telespectadores acharam que Macron foi "mais convincente" do que a líder da extrema-direita, que aproveitou o frente a frente para acusar o rival de ser "o candidato da globalização selvagem" e para tentar convencer o eleitorado de que o ex-banqueiro vai transformar França numa "sala de trocas comerciais, em que cada um vai estar a lutar por si próprio".

A estratégia parece não ter resultado como ela queria. No inquérito de opinião, levado a cabo junto de 1314 pessoas com mais de 18 anos que assistiram ao debate, 64% dos inquiridos declararam que Macron tem um projeto melhor para França, contra 33% que preferem as propostas de Le Pen.

Entre os que votaram na líder da Frente Nacional (FN) na primeira volta, no final de abril, 12% disseram estar agora a pender para o candidato do movimento "Em Marcha!"; de entre os que votaram Macron, apenas 3% passaram a preferir a líder da extrema-direita depois da batalha verbal desta noite.

Os números entre os que apoiaram Jean-Luc Mélenchon na primeira volta são ainda mais favoráveis a Macron, com 70% a escolherem o liberal e 30% a favorecerem a prestação da nacionalista. Já no que toca aos que votaram no candidato republicano François Fillon, 58% escolhem Macron e 38% a candidata da FN.

No frente a frente de duas horas, mais tenso do que é habitual nos debates eleitorais em França, Macron acusou a rival de estar a mentir ao povo francês, de não propor nada de substancial e de exagerar alguns problemas, como o terrorismo, em público para atrair votos com uma estratégia do medo. "A grande sacerdotisa do medo está sentada diante de mim", declarou.

Neste momento, cerca de 18% dos eleitores continuam indecisos para a votação de domingo, a primeira ida às urnas da História de França sem nenhum candidato dos dois partidos tradicionais, o Partido Socialista do Presidente de saída, François Hollande, e o partido Os Republicanos do anterior Presidente Nicolas Sarkozy.

Antes de darem início ao confronto televisivo, Macron mantinha-se à frente nas mais recentes sondagens de intenção de voto, com cerca de 59% dos eleitores a favorecê-lo. Essa vantagem não deverá ser alterada por causa do debate, apesar de Le Pen ter concentrado todos os esforços em ataques ao rival por ser do "sistema" e representar mais do mesmo.

Entre os momentos merecedores de mais destaque, conta-se aquele em que a líder da FN voltou a prometer que, se for eleita, vai restaurar a moeda nacional do país, o franco, e dar às empresas e aos bancos a opção de fazerem negócios com essa divisa e não com o euro – uma proposta que Macron considera "disparatada". "Como é que uma grande empresa pode, por um lado, pagar em euros e, por outro, pagar aos seus funcionários noutra moeda?", questionou.

No que toca ao terrorismo, depois de França ter sido alvo de uma série de atentados nos últimos dois anos, Le Pen acusou o rival de ser complacente com a ameaça do radicalismo islâmico. "A segurança e o terrorismo são dois grandes temas que estão completamente ausentes do seu programa", ditou. Macron respondeu que as medidas propostas por Le Pen – para "erradicar" o fundamentalismo através do encerramento de "mesquitas extremistas" e da expulsão de "pregadores do ódio" – alimentam a vontade dos terroristas e o seu desejo de uma "guerra civil".