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Depois do “pior telefonema”, o melhor encontro? Líder australiano aterra em Nova Iorque para falar com Trump

Turnbull (dta) recebeu o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em Sidney a 22 de abril

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O primeiro-ministro Malcolm Turnbull tem agenda cheia esta sexta-feira, dia em que vai reunir-se com o Presidente dos EUA pela primeira vez desde uma infame e acesa conversa telefónica no início de fevereiro. Ameaça norte-coreana encabeça lista de assuntos a serem debatidos entre os dois líderes

Malcolm Turnbull aterrou esta quinta-feira em Nova Iorque, para aquele que será o primeiro encontro cara a cara do primeiro-ministro australiano com o Presidente norte-americano Donald Trump.

O chefe do executivo, que recentemente aprovou medidas para dificultar a obtenção de nacionalidade australiana, vai ficar menos de 48 horas na cidade antes de voltar a Camberra para se preparar para o debate orçamental da próxima semana. E esta sexta-feira vai participar numa série de eventos oficiais e encontros, entre eles uma reunião na Torre Trump com o empresário tornado 45.º Presidente dos EUA.

O encontro acontece dois meses depois de uma conversa difícil entre os dois líderes, a 2 de fevereiro, na altura classificada pelo próprio Presidente Trump como "o pior telefonema do dia", de acordo com fontes da Casa Branca citadas pelo "Washington Post". Na raiz do desentendimento estava o acordo que Turnbull tinha alcançado com Barack Obama para que, em 2017, os EUA acolhessem até 1250 refugiados dos milhares que estão atualmente detidos em campos criados pelo governo australiano nas ilhas da Papua Nova Guiné e de Nauru – onde, de acordo com a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, as autoridades e as populações locais têm estado a cometer abusos contra os migrantes para os demoverem de pedirem asilo.

Nesse telefonema, Trump terá dito ao primeiro-ministro australiano que o acordo alcançado por Obama é "estúpido" e o "pior de sempre". No dia seguinte, o WaPo noticiou que Trump se zangou com Turnbull e que terminou de forma abrupta a conversa sobre o acolhimento de "imigrantes ilegais".

Em entrevista a uma rádio de Sidney, o líder australiano desmentiu essa versão dos acontecimentos, garantindo que teve com Trump uma conversa "muito franca e direta" e que "a notícia de que o Presidente desligou a chamada não é correta". Na mesma entrevista, Turnbull disse que o líder norte-americano lhe garantiu que o acordo vai avançar. A uma rádio de Melbourne, acrescentaria depois: "Temos um claro compromisso com o Presidente Trump. Antecipamos que este acordo vai continuar em marcha."

Esta quarta-feira, antes de partir para Nova Iorque, Turnbull escusou-se a comentar o assunto em entrevista ao canal SBS TV, dizendo que a reunião de sexta-feira com Trump se segue "a várias chamadas" com o líder norte-americano.

Os media estão a antecipar que esse encontro vai ser dominado pela questão da Coreia do Norte, numa altura em que Trump e o regime de Kim Jong-un continuam a trocar ameaças e a aquecer a retórica bélica por causa do programa nuclear e de mísseis de Pyongyang.

Os EUA dizem que o país está prestes a atingir capacidades militares suficientes para atacar o território norte-americano com mísseis. O regime norte-coreano acusa o país e os seus aliados na região de estarem a preparar-se para uma invasão com as mais recentes manobras navais e aéreas no Pacífico.

TIMOTHY A. CLARY

A visita oficial de Turnbull aos EUA vai ainda ser marcada por um jantar de gala a bordo do porta-aviões desarmado USS Intrepid, que está atracado no rio Hudson, para comemorar o 75.º aniversário da Batalha do Mar de Coral, uma em que os EUA e a Austrália derrotaram as forças japonesas em maio de 1942, em plena II Guerra Mundial.

De acordo com a Sky News, estão programados vários protestos em Nova Iorque esta sexta-feira, incluindo um junto ao USS Intrepid e outro frente à Torre Trump, contra a administração norte-americana, que prometem perturbar a visita de Turnbull. Esta quinta-feira, o primeiro-ministro australiano vai encontrar-se com o almirante Harry Harris, chefe do Comando dos EUA para o Pacífico, e com membros da força conjunta antiterrorismo da polícia de Nova Iorque e do FBI.