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Apatia e apelo ao boicote dominam eleições argelinas

MOHAMED MESSARA/EPA

A reeleição da Frente de Libertação Nacional, que se mantém no poder desde a independência, em 1962, é dada como quase certa. Durante a campanha os argelinos pareceram mais interessados nas presidenciais francesas

“Faça a sua voz ser ouvida” referiam os slogans da campanha para combater a abstenção nas eleições parlamentares argelinas. Mas com a reeleição da Frente de Libertação Nacional (FLN) dada como certa, a qual se encontra no poder desde a independência em 1962, a votação desta quinta-feira decorre entre a apatia e os apelos ao boicote vindos dos partidos da oposição.

Esta é a primeira eleição que tem lugar desde a revisão constitucional que deu mais poder à legislatura. Durante a campanha os eleitores argelinos pareceram mais interessados nas presidências francesas, a sua antiga potência colonial, segundo refere a agência noticiosa France-Presse.

“Votem de forma maciça para reforçar a a estabilidade política e a segurança do país”, apelou no sábado passado o Presidente Abdelaziz Bouteflika, líder do partido no poder, a FLN, que se encontra coligado com a Manifestação para a Democracia Nacional.

Os analistas frisam que estas devem ser as últimas eleições parlamentares sob a presidência de Bouteflika, que tem 80 anos, e raramente tem sido visto em público desde que sofreu um acidente vascular cerebral, em 2013.

O sufrágio decorre com o país em situação de crise económica desde a queda do preço do petróleo, que é a sua maior fonte de receitas.

O movimento do antigo primeiro-ministro Ali Benflis e do partido Jil Jadid (Nova Geração) apelaram ao boicote, considerando que os vencedores já estão escolhidos.

Contudo, ao contrário do que aconteceu nas presidências de 2014, a maioria dos partidos da oposição acabaram por decidir participar no processo eleitoral.

O regime colocou como objetivo conseguir que a abstenção desça dos 43,14% registados nas parlamentares de 2012.