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Internacional

Um empate que favorece Macron

IAN LANGSDON/ EPA

Partindo de uma vantagem de 60% contra 40% nas sondagens, nem Macron terá conseguido fazer crescer a sua base de apoio, nem Le Pen alargar o seu eleitorado. O debate foi tenso, sobretudo na sua parte final, onde a candidata da Frente Nacional parece ter acusado algum cansaço

Marine Le Pen apresentou-se ao ataque na parte inicial do debate desta noite procurando colar Emmanuel Macron ao impopular governo socialista, à crise económica e à alta finança. Esta postura atacante era essencial para tentar inverter as sondagens que, antes do debate davam Macron com cerca de 60% de votos, contra 40% da candidata da extrema-direita. E que, segundo as primeiras indicações referidas nas emissões televisivas francesas, não se terão alterado significativamente.

Em particular, as primeiras sondagens sugerem que Macron tenha conseguido marcar alguns pontos junto dos eleitorados de Mélenchon e de Fillon com, respectivamente, 60% e 58% a considerarem que as propostas do candidato tinham sido mais bem explicados e eram mais credíveis que as da adversária.

Tendo Marine Le Pen mais traquejo de televisão e de debates e mais experiência política, tentou fazer jogar isso a seu favor. Daí que Macron na primeira metade do debate tenha estado numa postura defensiva que, em última análise, jogava a seu favor, uma vez que, dada a diferença de intenções de voto, lhe bastava não perder o debate para ser objectivamente vencedor do mesmo.

Contudo para a parte final do debate Marine perdeu acutilância quando não frescura física, dando a iniciativa ao adversário que terminou em alta, vincando as ligações de Marine à extrema-direita e confrontando-a com uma postura de desconfiança perante o poder judicial (que acusara de politizado e esquerdista).

Sem entrar na análise do argumentário de cada um e olhando mais para a imagem televisiva e a postura respectivas, tivemos um debate mais tenso e abrasivo do que é habitual na política francesa. Marine fez sempre a amálgama entre “os socialistas” o presidente Hollande e o seu adversário. Já Macron insistiu várias vezes que a sua adversária “só dizia disparates” o que levou um comentador da TV francesa a perguntar como teria sido se em 2007 Nicolas Sarkozy tivesse tratado assim Ségolene Royal.

Mesmo na fase em que tomou a iniciativa, Marine Le Pen expôs algumas debilidades de argumentação, nomeadamente nalguns dossiês económicos (consultava frequentemente os seus apontamentos, ao contrário do adversário). Atribuiu a Macron a responsabilidade do fecho de uma fábrica, ocorrido quando ele não estava no governo e citou erradamente uma medida fiscal do candidato conservador François Fillon.

Onde a candidata da extrema-direita esteve no seu terreno foi na exploração dos temas da imigração e do terrorismo, procurando fazer corresponder uma coisa à outra. Já nas questões europeias fraquejou, ao não conseguir explicar que contornos teria uma saída do euro e um regresso ao franco, o que foi explorado por Macron para dizer que a saída da moeda única seria um desastre para os aforradores e os reformados, cujos rendimentos cairiam a pique.

Marine virou o Brexit a seu favor, dizendo que desde a decisão da saída a economia britânica tinha ficado bastante melhor, ao contrário das previsões dos pró-europeus. Mas não conseguiu explicar de forma entendível que tipo de Europa substituiria a actual União Europeia.

Também nas questões internacionais Marine não foi clara quanto àquilo que defende, muito em especial relativamente a Donald Trump e a Vladimir Putin.

Nas alegações finais Marine disse que o seu adversário era “o candidato do fecho de tudo: das fábricas, das maternidades, dos postos de polícia … excepto das fronteiras”. Macron acusou o projecto da adversária de explorar o medo e a mentira, “na linha do que o seu pai (Jean-Marie Le Pen) e a extrema-direita francesa fizeram durante décadas”.

Frases

“Sou contra os que tentam explorar a cólera. A França merece melhor que isso”
Emmanuel Macron

“O senhor é o candidato do fecho de tudo: fábricas, hospitais, maternidades, esquadras da polícia. Só não quer fechar as fronteiras”
Marine Le Pen

“O seu projecto alimenta-se do medo e das mentiras que foi o que alimentou o seu pai e a extrema-direita francesa durante décadas”
Emmanuel Macron

“A França será sempre governada por uma mulher. Eu se ganhar e Merkel se o senhor ganhar”
Marine Le Pen