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Reino Unido “não vai pagar conta de divórcio de €100 mil milhões”

Christopher Furlong

David Davis, responsável do governo britânico pela pasta do Brexit, insiste que Londres vai pagar o que está previsto por lei e “não o que a União Europeia quer”

O Reino Unido não vai pagar a chamada "conta de divórcio" no valor de 100 mil milhões de euros para abandonar a União Europeia. Assim garantiu esta quarta-feira de manhã David Davis, secretário do governo de Theresa May para o Brexit, numa entrevista no programa de televisão "Good Morning Britain".

Ao canal ITV, Davis sublinhou que o Reino Unido vai pagar o que é legalmente requerido e "não o que a UE quer", depois de o "Financial Times" ter avançado esta terça-feira que o total de compensações financeiras que Bruxelas vai exigir a Londres já ascende aos 100 mil milhões de euros, por causa de pressões de países como a França e a Polónia.

Davis defende que o Reino Unido levou a sério os "direitos e obrigações" estipulados enquanto fez parte do bloco e diz que o governo conservador que ele integra "ainda não viu nenhum número", acrescentando que Bruxelas está a assumir uma postura "grosseira e dura".

Neste momento, Michel Barnier, o responsável pelas negociações de saída do Reino Unido em nome do Executivo comunitário, prepara-se para publicar o seu guia de diretrizes para as conversações com Londres e não se antecipa que o documento vá incluir quaisquer exigências financeiras.

Fonte da UE disse à BBC que para já as autoridades em Bruxelas não vão entrar numa discussão sobre potenciais valores a serem desembolsados pelo Reino Unido, naquele que deverá ser um dos pontos mais contenciosos do Brexit até à conclusão das negociações, prevista para março de 2019.

Esta manhã, Davis disse que o processo negocial inaugurado em março não começou com seriedade e referiu que o Reino Unido vai bater o pé e impôr limites no que toca ao acordo de divórcio. "Não somos pedintes. Isto é uma negociação. Eles [UE] definem o que querem e nós definimos o que queremos."

Pressionado a comentar se os 100 mil milhões de euros calculados pelo "Financial Times" correspondem a um valor aceitável, Davis garantiu: "Não vamos pagar 100 mil milhões. Vamos fazer as coisas de forma apropriada. Vamos assumir as nossas responsabilidades com seridade. O que temos de discutir em pormenor é quais são os direitos e obrigações [do Reino Unido]."

Bruxelas tem inssitido que o governo britânico vai ter de aceitar as responsabilidades decorrentes da sua pertença ao bloco, incluindo as contribuições previstas para o orçamento da UE no ano fiscal corrente. Antes de Theresa May invocar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa para dar início ao processo de saída, a UE já tinha sublinhado a importância de haver algum tipo de pagamento do Reino Unido como condição para se negociar um potencial acordo comercial.

Anteriores cálculos previam que a fatura europeia está situada entre os 50 e os 60 mil milhões de euros. Contudo, de acordo com as contas do "Financial Times" com base em números atualizados e novas exigências de países como a França e a Polónia, essa fatura já ascende aos 100 mil milhões.

Fontes dizem que o mais recente encontro entre May e Juncker não correu bem

Fontes dizem que o mais recente encontro entre May e Juncker não correu bem

Carl Court/GETTY IMAGES

A revelação surge num momento de tensões crescentes entre Londres e Bruxelas, depois de fontes anónimas terem avançado que o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, garantiu a Theresa May num encontro recente que não há forma de o Brexit ser um sucesso.

Terça-feira, a primeira-ministra britânica reagiu publicamente às informações sobre esse encontro, dizendo que, durante as negociações, Juncker vai descobrir que ela pode ser "uma mulher muito difícil" e um "osso duro de roer".

Davis, uma das dez pessoas que estiveram presentes no jantar em questão, falou esta manhã num encontro "construtivo" em que houve algumas diferenças de opinião sobre áreas-chave. Reagindo às alegações das fontes sobre May não se ter preparado para o encontro com Juncker, o ministro disse que as notícias não passam de "mexericos e aproveitamentos".

Questionado sobre se a atmosfera do encontro foi hostil, outra das informações avançadas anonimamente, o secretário do Brexit garantiu: "Absolutamente que não". Na entrevista, também disse estar confiante de que vai permanecer no cargo se o Partido Conservador ganhar as eleições antecipadas que May convocou para o início de junho.