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Mais três pessoas morreram em protestos na Venezuela

CARLOS GARCIA RAWLINS/REUTERS

O números de mortos em protestos na Venezuela sobe para 32 durante o último mês

As autoridades venezuelanas confirmaram esta quarta-feira a morte de três pessoas nos protestos em várias cidades da Venezuela, elevando para 32 o número oficial de mortos em manifestações desde há um mês no país.

As mortes ocorreram no Estado venezuelano de Carabobo (centro do país), onde há ainda registos de danos materiais a imóveis e saques de vários estabelecimentos comerciais.

Segundo o Ministério Público venezuelano está a ser investigada a morte de um jovem de 21 anos na noite de terça-feira, na avenida Villa Florida da cidade de Valência, capital do Estado de Carabobo.

A morte, segundo as autoridades, ocorreu durante uma "situação irregular", sem mais pormenores.

A imprensa local dá conta de que o proprietário de um dos estabelecimentos comerciais que ia ser saqueado terá disparado contra várias pessoas e matou o jovem.

Por outro lado, também em Valência, duas pessoas morreram e outras 10 ficaram feridas, também terça-feira, quando um autocarro de passageiros tentou rodear uma barricada colocada na autoestrada que liga aquela cidade à localidade de Puerto Cabello.

O motorista terminou por perder o controlo da viatura que capotou.
As manifestações contra e a favor o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde há um mês na Venezuela.

A oposição reclama a libertação dos presos políticos, a convocação de eleições gerais, o fim da repressão e manifesta-se ainda contra duas sentenças do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que limitam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assume as funções do parlamento.

Esta quarta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades, contra a convocação para a eleição de uma Assembleia Constituinte, feita segunda-feira por Nicolás Maduro.

Segundo a aliança da oposição, que integra a Mesa de Unidade Democrática (MUD), a convocatória "é uma fraude, é inconstitucional e implica o fim da democracia".

Na segunda-feira, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou os venezuelanos para elegerem uma Assembleia Nacional Constituinte, para, justificou, preservar a paz e a estabilidade da República, incluir um novo sistema económico, segurança, diplomacia e identidade cultural.

Segundo Nicolás Maduro, como parte das suas "atribuições constitucionais" está a reforma do Estado venezuelano, modificar a ordem jurídica, permitindo a convocatória redigir uma nova Constituição.

Fontes não oficiais elevam para 34 o número de mortos em manifestações, nas quais mais de 500 pessoas ficaram feridas e mais de 1300 foram detidas.

  • A situação vai ficar pior antes de ficar melhor?

    Os protestos em massa contra o governo da Venezuela, com confrontos quase diários que já se saldaram em 34 mortos e cerca de 1500 detidos no último mês, não vão acabar tão cedo mas também não vão conseguir remover o Presidente socialista do poder. Assim dita ao Expresso um de dois especialistas em assuntos da América Latina. O outro, um ex-correspondente do “The Guardian” que vive em Caracas há vários anos, diz que apesar de o governo estar enfraquecido, Maduro pode conseguir cansar a oposição e ficar no poder por tempo indefinido