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Lusodescendente vai votar em Macron apesar de ser contra as suas políticas

ERIC CABANIS/GETTY

Catherine dos Santos - candidata comunista às eleições legislativas em França e repórter do histórico jornal comunista “L'Humanité” - votou em Jean-Luc Mélenchon na primeira volta e diz que agora é preciso “barrar a extrema-direita”

A lusodescendente Catherine dos Santos, candidata comunista às eleições legislativas em França, vai votar em Emmanuel Macron contra Marine Le Pen nas presidenciais mas, depois, vai sair às ruas para lutar contra as políticas de Macron.

A repórter do histórico jornal comunista “L'Humanité” votou em Jean-Luc Mélenchon na primeira volta e este domingo vai votar em Emmanuel Macron porque “o mais importante é que a extrema-direita não chegue ao poder” porque é “preocupante” a subida da Frente Nacional em França.

“Na segunda volta vou barrar a extrema-direita porque não é possível para mim ver essa representação de uma França que alimenta divisões entre os trabalhadores e as pessoas”, explicou, sublinhando que “o programa de Marine Le Pen é uma impostura social, uma ditadura da finança” que representa uma “ideologia racista”.

Apesar de votar por Emmanuel Macron a 7 de maio, Catherine dos Santos disse que, se ele vencer, “no dia 8” vai para as ruas protestar contra os seus “projetos de Governo” porque considera que o candidato centrista “não se vai demarcar da política dos últimos cinco anos”, algo que “vai agravar a situação de precariedade dos trabalhadores e dos que estão desempregados” e que é “contraprodutivo de um ponto de vista económico”.

Catherine dos Santos é candidata do Partido Comunista Francês às eleições legislativas de 11 e 18 de junho pelo círculo eleitoral de Villejuif, Cachan, Arcueil e Gentilly Ouest, nos arredores de Paris, e explicou que faz “uma só promessa” aos militantes que é “lutar”, nomeadamente contra a lei do trabalho El Khomry, defendida por Emmanuel Macron quando era ministro da Economia.

“Nada se vai ganhar sem luta. É um momento importante: as urnas, os dias 11 e 18 de junho. É fundamental porque os deputados decidem as leis, votam o orçamento, a política internacional da França. Para mim é uma eleição muito mais importante que a eleição presidencial. Mas depois do 18 de junho há que convencer, fazendo propostas, defendendo os direitos que temos”, declarou.

A lusodescendente de 43 anos, que entrou no Partido Comunista em 1990, lamenta a “divisão nas forças de esquerda” nas eleições legislativas - à imagem do que acontece no seu círculo eleitoral onde há candidatos comunistas, da França Insubmissa, dos Verdes e socialistas - e teme que a esquerda volte a ficar para trás como aconteceu na primeira volta das presidenciais, a 23 de abril.

“Lamento que não exista agora [a união] mas vamos criar uma dinâmica. É fundamental para não viver a experiência das presidenciais e da segunda volta. Acho que durante as eleições legislativas podemos marcar já uma rutura com as políticas de Emmanuel Macron. Isso depende do número de deputados que sejamos capazes de eleger, sejam comunistas, insubmissos, hamonistas, ecologistas, mas que tenham pontos de convergência fortes para ser uma voz importante dentro da assembleia nacional”, afirmou.

Catherine dos Santos anda em campanha desde janeiro, organizando e animando reuniões públicas sobre saúde, salários ou criação cultural e acredita ser “possível” conquistar um assento na Assembleia da República francesa porque concorre num círculo eleitoral “de esquerda” e onde existe “uma grande tradição comunista”.

O seu objetivo é alertar para a necessidade de “políticas de progresso social” contra as medidas “de austeridade louca” que “está a viver França” e “por que passou Portugal e a Espanha”.

“É não só uma responsabilidade histórica pelo passado, mas também pela situação de urgência social depois de cinco anos que foram terríveis para muitos habitantes. Há as políticas de austeridade, de corte nas despesas públicas que foram absolutamente terríveis”, afirmou a lusodescendente, acrescentando que se candidata a deputada em nome da “rutura das políticas neoliberais das últimas três décadas”.