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Internacional

EUA. Nenhuma acusação formal contra a polícia no caso da morte de Alton Sterling

Familiares de Alton B. Sterling no seu funeral, a 15 de julho de 2016

Sean Gardner

Departamento de Justiça norte-americano decidiu não acusar nenhum dos dois agentes da polícia brancos que mataram o afroamericano em Baton Rouge, no estado do Louisiana. Informação chegou aos media antes de a família de Sterling e de o autarca da cidade terem sido formalmente notificados

O Departamento de Justiça norte-americano decidiu não acusar formalmente nenhum dos dois agentes da polícia brancos que abateram a tiro um homem negro em Baton Rouge, no estado do Louisiana, no verão passado.

O caso da morte de Alton Sterling voltou a mobilizar as comunidades de afroamericanos em várias partes dos Estados Unidos contra a violência policial discriminatória, depois de um vídeo ter surgido na internet onde se veem os dois agentes a agarrar Sterling, deitado no chão, e a descarregarem as suas armas sobre ele.

A notícia chegou aos media esta terça-feira à noite antes de o autarca de Baton Rouge e de a família de Sterling terem sido formalmente notificados da decisão. Rapidamente, dezenas de pessoas começaram a reunir-se à porta da loja onde o incidente teve lugar, reunindo-se numa vigília horas depois em frente à sede da polícia da cidade.

Uma investigação de direitos civis tinha sido aberta logo a seguir ao homem de 37 anos ter sido abatido à porta de uma loja de conveniência onde estava a vender CD, a 5 de julho de 2016. Na altura, uma série de incidentes fatais envolvendo o abate de afromaericanos pela polícia tinha voltado a despoletar um debate sobre o uso de força pelas autoridades.

A decisão federal de não acusar os dois agentes – um deles Blane Salamoni, filho de Noel Salamoni, capitão do departamento de operações especiais da polícia de Baton Rouge – vem de um Departamento de Justiça agora liderado por Jeff Sessions, um ex-senador do Alabama que, no passado, foi considerado demasiado racista para ser juiz federal e que o Presidente Donald Trump nomeou para dirigir o ministério.

As autoridades do estado do Louisiana ainda podem decidir avançar com acusações contra os polícias brancos envolvidos na morte de Sterling.

O que aconteceu?

Na noite de 5 de julho, a polícia de Baton Rouge recebeu uma denúncia anónima sobre um homem que, alegadamente, estaria a ameaçar pessoas com uma arma à porta de uma loja da cidade.

Um vídeo gravado no telemóvel por uma testemunha mostra dois agentes a forçarem um homem de t-shirt vermelha, identificado como Alton B. Sterling, a deitar-se no chão. Um dos agentes prendeu o braço de Sterling ao chão com o joelho, agarrando depois na arma para a apontar a ele. Uma voz é ouvida a gritar: "Ele tem uma arma!" A isso seguiram-se tiros, sem mais imagens de Sterling ou dos dois agentes.

O afroamericano, pai de cinco, morreu no local. A polícia garante que ele se recusou a cumprir as ordens dos agentes, razão pela qual estes usaram uma arma de eletrochoques para o obrigarem a deitar-se no chão. Ambos garantem que viram uma arma a sair de um dos bolsos de Sterling e que o viram a tentar agarrá-la antes de descarregarem as armas sobre ele.

Logo a seguir ao incidente, nessa mesma noite, quase 200 pessoas foram presas em manifestações contra a violência policial e a discriminação de negros. No dia seguinte, um outro afroamericano foi abatido pela polícia após ter sido parado no trânsito no estado do Minnesota; a namorada de Philando Castile garante que ele foi morto quando tentou tirar a carta de condução do bolso.

Aos dois incidentes seguiu-se um ataque contra a polícia em Dallas, no Texas, no qual cinco agentes foram abatidos por um sniper, mais tarde identificado como Gavin Long, um marine do Exército norte-americano que combateu no Iraque que dizia estar farto da forma racista como a polícia lida com a comunidade afroamericana. Menos de duas semanas mais tarde, três agentes da polícia de Baton Rouge foram alvo de uma cilada e abatidos a tiro, inflamando ainda mais as tensões.