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Internacional

Depois de “conversa muito boa”, Trump e Putin querem um cessar-fogo na Síria

Drew Angerer

O Presidente norte-americano e o homólogo russo falaram ao telefone na terça-feira pela primeira vez desde que a administração Trump ordenou um ataque com mísseis contra as forças de Bashar al-Assad, aliadas de Moscovo

O Presidente norte-americano e o seu homólogo russo querem trabalhar em conjunto para implementar um cessar-fogo na Síria. Foi este um dos principais pontos de debate naquela que foi a primeira conversa entre os dois líderes desde que as forças norte-americanas lançaram 59 mísseis contra uma base da Força Aérea síria há quase um mês, no início de abril.

Num telefonema ao final da tarde desta terça-feira, Donald Trump e Vladimir Putin discutiram a situação na Síria de Assad, grande aliado do governo russo, as crescentes tensões com a Coreia do Norte e possíveis datas para um encontro entre ambos. Em comunicados distintos, a Casa Branca e o Kremlin citaram uma "conversa produtiva".

"O Presidente Trump e o Presidente Putin concordam que o sofrimento na Síria já foi demasiado longe e que as partes envolvidas têm de fazer todos os possíveis para acabar com a violência", informou o governo norte-americano. "A conversa foi muito boa e incluiu uma discussão sobre [a criação de] zonas seguras para alcançar uma paz duradoura por razões humanitárias e outras."

A conversa acontece quase um mês depois de Donald Trump ter ordenado o primeiro ataque direto contra as forças de Bashar al-Assad desde o início da guerra civil na Síria em março de 2011. Depois de um ataque com armas químicas, que o Ocidente atribui às forças de Assad, ter provocado mais de 80 mortos na província de Idlib (controlada pelos rebeldes) a 4 de abril, o Presidente norte-americano ordenou o lançamento de 59 mísseis-cruzeiro contra uma base da força aérea síria em Homs, no centro do país.

Assad garante que o incidente com gás sarin em Khan Sheikhoun foi fabricado e a Rússia sua aliada disse, na altura, que a libertação do gás tóxico proibido resultou de um ataque aéreo das forças da coligação que atingiu um depósito de armamento dos rebeldes, onde estes tinham armazenadas armas químicas proibidas.

No comunicado divulgado esta terça-feira depois da conversa com Trump, o governo de Putin pediu que seja conduzida uma investigação completa e independente ao que aconteceu, condenando "qualquer uso de armas químicas".

No mesmo documento, o Kremlin explicou que os dois líderes partilham a vontade de alcançar um cessar-fogo na Síria. "O objetivo é criar as condições para que se possa dar início a um processo de resolução real na Síria."

Em nenhum dos comunicados foi referido se os dois Presidentes discutiram o ataque com mísseis executado pelos EUA.

Pelo contrário, a Casa Branca adiantou que Trump e Putin também aproveitaram a chamada para abordar "a melhor forma de resolver a perigosa situação na Coreia do Norte", uma semana depois de o Presidente norte-americano ter declarado que é possível que estale "um grande, grande conflito" na região por causa do programa nuclear e de mísseis do hermético regime de Kim Jong-un.

Sobre esse assunto, o Kremlin refere que "a situação perigosa na península coreana foi discutida em detalhe" e que "Vladimir Putin pediu contenção e que o nível de tensões seja reduzido".

No mesmo comunicado, o governo russo também avança que foi discutida a possibilidade de se organizar um encontro entre Trump e Putin à margem da cimeira do G20 em Hamburgo, marcada para o início de julho. A Casa Branca não fez qualquer referência a um possível encontro – que, a acontecer, será o primeiro entre os dois líderes desde que o empresário norte-americano tomou posse como 45.º Presidente dos EUA, a 20 de janeiro.