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Debate Macron-Le Pen regulamentado ao pormenor

POOL/ Reuters

Esta quarta-feira, às 20h (hora de Lisboa), os dois candidatos presidenciais franceses fazem o único debate da segunda volta. As regras são estritas e foram combinadas antes

Tudo foi previamente combinado para o debate de hoje às 20h (hora de Lisboa, transmitido no cabo por TF1, France 2, France 24 ou BFMTV) entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen. É o caso do formato da emissão, do nome do realizador e dos dois jornalistas que moderarão o frente a frente.

Até se chegar aos nomes de Christophe Jakubyszyn e Nathalie Saint-Cricq foi uma longa via-sacra, com a equipa de Macron a exigir paridade de género (um homem e uma mulher) e a de Marine a chumbar o nome de Anne-Claire Coudray.

Os dois jornalistas podem perguntar o que quiserem mas não podem, por exemplo, corrigir uma inverdade factual dita por algum dos candidatos. Também os parâmetros da realização estão definidos, o que implica, por exemplo, que não haja planos de corte. Logo, as expressões ou a linguagem corporal dos intervenientes em momentos cruciais da emissão poderão não ser mostrados.

Estas regras vigoram desde 1981 e decalcam no essencial as condições postas por François Mitterand para debater com Valéry Giscard d’Estaing. Em 1974 Mitterand fora esmagado por Giscard na TV mas sete anos depois, além de ter passado a estar à vontade perante as câmaras, impôs o formato da emissão ainda em vigor e usou em directo um truque devastador. Como Giscard estava fragilizado pelas suspeitas de ter recebido diamantes do ditador africano Bokassa, Mitterand passou a emissão a tamborilar com os dedos sobre um volumoso dossiê que o seu opositor julgou conter informações sobre o escândalo mas que, na realidade, estava vazio…

Planos de corte são proibidos

A proibição dos planos de corte fez com que, por exemplo em 2012 só o realizador da emissão tivesse visto a expressão, meia de raiva, meia de derrota, de Sarkozy quando Hollande fez a sua declaração final.

O realizador escolhido, Tristain Carné da TF1, terá à sua disposição um arsenal de 17 câmaras principais, sete de recurso e ainda uma grua. Em declarações ao diário francês “Le Monde” considera as restrições impostas um verdadeiro manual de contra-realização. “Para um realizador é contranatura não poder recorrer a planos de corte”. Isso faz com que se possam perder “expressões, hesitações, momentos de ausência que podem dizer mais que qualquer discurso verbal”.

Quem ganha o debate, ganha as eleições?

Costuma dizer-se que, por tradição, quem ganha o debate, ganha as eleições. Foi assim em 1982 com Mitterand contra Giscard, em 2007 com Sarkozy contra Ségolene ou em 2012 com Hollande contra o mesmo Sarkozy. Contudo há quem não pense assim. Por exemplo a jornalista Michéle Cotta que moderou os debates de 1981 e 1988 (Mitterand-Chirac) disse ao referido diário que o debate não deverá decidir as eleições, admitindo, no entanto, que possa ter “alguma influência” nas franjas do eleitorado que ainda não tenham feito a sua opção final. “Para ganhar um debate, um político tem que ter uma postura [de vencedor] e uma réplica imparável, pois só assim conquistará os indecisos”, conclui Cotta.