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Ministro alemão diz que Reino Unido tem de abandonar “conto de fadas” sobre o Brexit

Carl Court/GETTY IMAGES

Responsável pelos Assuntos Europeus na chancelaria Merkel junta-se a crescente coro de vozes que estão a criticar a postura do governo de Theresa May no processo negocial em curso para tirar os britânicos da União Europeia

O governo britânico tem de abandonar a ideia romantizada ao jeito de "contos de fadas" de que sair da União Europeia é o melhor para o Reino Unido e os seus habitantes. O aviso foi feito ontem por Michael Roth, ministro da chanceleria Merkel para os Assuntos Europeus, no Twitter.

"O governo britânico deve finalmente despedir-se do conto de fadas de que, depois do Brexit, tudo vai ser melhor para todos os britânicos", escreveu na sua língua nativa, repetindo depois a declaração em inglês, na qual substituiu a expressão "conto de fadas" por "mito".

Com a intervenção pública, o ministro vem juntar-se a uma crescente lista de políticos alemães que têm endurecido as críticas à postura do governo de Theresa May nas negociações do Brexit, um processo que foi lançado em março, quando a primeira-ministra ativou o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, e que para já está a avançar a meio gás, depois de May ter decidido convocar eleições legislativas antecipadas para junho, na esperança de reforçar o seu mandato antes de dar continuidade às negociações com Bruxelas.

As declarações de Roth surgiram depois de o jornal "Frankfurter Allgemeine" ter noticiado que Theresa May pareceu não ser ter preparado para o encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que segundo fontes terá saído da reunião "dez vezes mais cético do que antes" quanto ao processo negocial com o Reino Unido.

Depois desse encontro com Juncker no domingo à noite, a primeira-ministra britânica foi duramente criticada por vários políticos europeus, até pelo próprio Juncker, que a acusou de estar numa "galáxia diferente".

Reagindo às delações, o responsável do Partido Trabalhista pela pasta do Brexit, Keir Starmer, disse estar "profundamente preocupado" com a aparente falta de noção e de preparação da chefe do governo, cujo porta-voz disse por sua vez que não se revê nos relatos do que aconteceu no jantar-reunião.

Há uma semana, a chanceler alemã, Angela Merkel, já tinha sugerido que "algumas pessoas" no Reino Unido estão com "ilusões" quanto ao que pode ser alcançado pelo país durante o processo de saída, que tem de estar concluído no prazo de dois anos, até março de 2019. O seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, disse que o Reino Unido "não vai ter almoços grátis" na UE.

"Não queremos enfraquecer a Grã-Bretanha, mas também não queremos o resto da Europa enfraquecida", declarou o chefe das finanças alemãs. "Depois de sair, a Grã-Bretanha não pode ter vantagens que outros países não têm."