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Internacional

Marine Le Pen acusada de plagiar discurso de François Fillon

Aurelien Meunier

O que deveria ter sido um discurso-chave da candidata de extrema-direita, a apenas cinco dias da segunda e última volta presidencial em França, transformou-se num momento de ridicularização da líder da Frente Nacional, refere o “Libération”

A candidata da extrema-direita à segunda e última volta das presidenciais francesas está a ser acusada de plagiar um discurso de François Fillon, o candidato da direita que foi derrotado na primeira volta em abril, ao falar aos seus apoiantes na segunda-feira.

De acordo com os media franceses, várias partes do discurso proferido por Marine Le Pen ontem em Villepinte, no norte da capital, parecem ter sido copiadas à letra de um discurso que Fillon fez a 15 de abril, quando faltava uma semana para a ida às urnas que viu a líder da Frente Nacional o candidato centrista independente Emmanuel Macron passarem à segunda volta — que será disputada no próximo domingo, 7 de maio.

Fonte da FN dedendeu Le Pen, dizendo que o facto de esta ter repetido ideias do ex-rival republicano no seu discurso foi um "aceno de cabeça" a Fillon que serviu para demonstrar que ela "não é sectária".

As semelhanças entre os dois discursos foram inicialmente apontadas pelo Ridicule TV, um canal de YouTube criado pelos apoiantes de François Fillon para atacar o seu principal rival, Macron, antes do primeito turno das eleições. Os administradores da página acusam a candidata da extrema-direita de plagiar o discurso de Fillon "palavra por palavra", tendo publicado os dois momentos lado a lado para que cada utilizador possa tirar as suas próprias conclusões.

A BBC aponta que existem pelo menos três excertos que parecem ser semelhantes a partes do discurso que Fillon proferiu há um mês num comício de campanha em Puy-en-Velay.

Num desses excertos, o candidato d'Os Republicanos, aliado de Nicolas Sarkozy que foi acusado de corrupção e abuso de poder durante a corrida eleitoral, disse: "Existe também a fronteira do [rio] Reno, a mais aberta, a mais perigosa, mas também a mais promissora — um mundo germânico com o qual temos entrado tantas vezes em conflito mas com o qual ainda vamos cooperar de tantas maneiras."

No seu discurso ontem, Le Pen declarou: "Existe também a fronteira do Reno, a mais aberta e também a mais promissora — um mundo germânico com o qual ainda vamos cooperar de tantas maneiras, desde que reconquistemos a relação de aliados e não de subordinados."

Numa outra parte aparentemente copiada do discurso de Fillon, Le Pen fez referência às "listas de espera para a Aliança Francesa em Xangai, Tóquio, México, para a escola secundária francesa em Rabat ou Roma".

Para o "Libération", o que deveria ter sido um discurso fulcral para angariar eleitores antes da segunda e última volta das presidenciais tornou-se um momento de ridicularização da candidata de extrema-direita nas redes sociais. No rescaldo da primeira volta, vários analistas já tinham apontado que Le Pen parecia estar a suavizar a sua retórica de campanha nalguns pontos e a aproximar-se do ex-candidato republicano ao palácio do Eliseu.

Reagindo ao escárnio, Florian Philippot, vice-secretário-geral da FN, disse à AFP que o discurso de Le Pen foi "um aceno de cabeça a uma curta passagem de um discurso sobre França" vindo de "uma candidata que, dessa forma, demonstrou que não é sectária".

Antes de se ver envolvido no escândalo de corrupção que ditou a sua derrota na primeira volta, Fillon esteve a liderar as sondagens de intenção de voto em França e agora, Le Pen quer chamar a si os eleitores descontentes que, no próximo fim-de-semana, são chamados a escolher entre ela e Macron. Os inquéritos de opinião mais recentes apontam que o centrista deverá derrotar a rival e ser eleito Presidente de França com cerca de 60% dos votos.