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Internacional

Grécia chega a acordo com credores para redução da dívida

O chefe do Executivo grego, Alexis Tsipras (esq), conversa com o seu ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos

Milos Bicanski

“Acordo técnico preliminar” foi ontem anunciado pelo governo grego quando falta menos de um mês para a cimeira dos ministros das Finanças da Zona Euro e duas semanas para uma greve geral no país contra a austeridade e os novos cortes na despesa

A Grécia alcançou na segunda-feira à noite um "acordo técnico preliminar" com os seus credores que deverá abrir caminho ao alívio da dívida do país, quando faltam cerca de três semanas para o encontro dos ministros das Finanças da Zona Euro, marcado para 22 de maio e no qual os Estados-membros da moeda única terão de aprovar esse acordo.

O anúncio foi feito na segunda-feira à noite pelo responsável da pasta das Finanças do governo de Alexis Tsipras, Euclid Tsakalotos. "As negociações estão concluídas", declarou aos jornalistas, citado pela agência estatal grega ANA.

Nas negociações, Tsakalotos conseguiu alcançar um "acordo técnico preliminar" com a União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). No final do encontro, o ministro disse estar "certo" de que este acordo vai permitir a Atenas assegurar medidas para a redução da dívida, que Tsakalotos define como vitais para a almejada recuperação económica daquele que foi um dos países da Zona Euro mais castigados pela crise financeira.

O acordo vem garantir o desbloqueio de uma nova tranche de empréstimos de que a Grécia precisa para garantir os pagamentos da dívida, no valor de 7 mil milhões de euros, até julho. Sob pressão dos seus três principais credores, o governo grego já tinha aceitado aplicar mais cortes na despesa pública em 2019 e 2020 num total de 3,6 mil milhões de euros.

Esses cortes vão ser aplicados nas pensões e nos impostos em troca de autorização para gastar o mesmo valor em medidas de alívio da pobreza. Fonte do governo citada pela ANA diz que as pensões vão ser cortadas em 9%, uma medida integrada num pacote que tem de ser aprovado pelo parlamento grego até meados deste mês, antes da reunião dos ministros da Zona Euro a 22 de maio.

O "The Guardian" lembra hoje que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, já tinha garantido que não vai aplicar os cortes sem que se alcance um compromisso claro nessa reunião quanto a medidas de alívio da dívida grega. No encontro do final de maio, Atenas também estará empenhada em garantir o acesso ao programa de compra de ativos do BCE, conhecido como quantitative easing (QE), para poder regressar aos mercados obrigacionistas.

Ontem, no feriado do 1.º de maio, mais de 10 mil pessoas manifestaram-se frente ao parlamento grego contra os cortes negociados antes da reunião com os credores e, neste momento, o país está a preparar-se para uma greve geral convocada para 17 de maio, em mais um protesto contra as medidas de austeridade que continuam a ser aplicadas depois de Atenas e os credores terem alcançado um terceiro acordo de resgate no valor de 86 mil milhões de euros em julho de 2015.

O FMI tinha-se recusado a integrar os dois anteriores programas de resgate sob o argumento de que os objetivos neles delineados eram irrealistas e de que a dívida pública grega era insustentável. Alcançar medidas para aliviar a dívida grega tem-se provado um ponto disputas para muitos dos credores europeus da Grécia, incluindo a Alemanha, onde a possibilidade de um perdão parcial da dívida ao país do sul angaria pouca popularidade entre os eleitores a menos de quatro meses das eleições federais no país, marcadas para 24 de setembro.