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Europa sim! Rússia não!

Bandeiras da União Europeia nas ruas de Budapeste revelam o apoio de milhares de húngaros ao projeto europeu

Laszlo Balogh / Reuters

Milhares de húngaros marcharam pelas ruas de Budapeste em apoio à União Europeia e contra a deriva do primeiro-ministro Viktor Orbán na direção de Moscovo

Margarida Mota

Jornalista

Milhares de húngaros, estima-se que uns 10 mil, aproveitaram o 1º de Maio para saírem às ruas de Budapeste em protesto contra a crescente influência da Rússia no país.

Nas mãos de muitos manifestantes, bandeiras azuis com 12 estrelas douradas revelaram, em sentido inverso, o apoio inequívoco à União Europeia. “Europa, Moscovo não!”, foi uma das palavras de ordem do desfile que passou em frente à embaixada russa na capital húngara.

Viktor Orbán (direita) está “a guiar a nação na direção de Moscovo”, afirmou András Fekete-Győr, líder do recém-criado Momentum, o partido da oposição que convocou o protesto. “Em vez de escolher como exemplo para o nosso país a Europa rica, moderna e livre, ele elege a Rússia pobre, oprimida e subdesenvolvida.”

Fundado em março de 2017, o Momentum foi o motor de uma petição assinada por mais de 250 mil pessoas exigindo a realização de um referendo sobre a candidatura de Budapeste aos Jogos Olímpicos de 2024 — a petição produziu efeitos e a Hungria abandonou a corrida olímpica. O Momentum já anunciou que vai concorrer às eleições legislativas de abril de 2018.

“Não precisamos de um Putin!”, lê-se no cartaz transportado por uma jovem húngara

“Não precisamos de um Putin!”, lê-se no cartaz transportado por uma jovem húngara

Bernadett Szabo / Reuters

Segundo a Rádio Europa Livre, a manifestação de segunda-feira foi a última de “um conjunto de manifestações em Budapeste nas últimas semanas, desencadeadas por uma nova lei inspirada pela Rússia que possibilitará a expulsão da Hungria de uma universidade fundada por George Soros”.

No poder desde 2010, Viktor Orbán é um líder polémico e controverso na União Europeia. Pela sua mão, entrou em vigor no país uma lei de imprensa que prevê multas até 750 mil euros aos autores de notícias que “não sejam politicamente equilibradas”, que ofendam a “dignidade humana”, “o interesse público” ou a “ordem moral”.

Num discurso proferido a 26 de julho de 2014, o primeiro-ministro húngaro discorreu sobre os seus planos para a Hungria, designadamente a transformação do país num “Estado iliberal”, cujas referências estão fora do continente europeu. “Uma tendência no pensamento é a compreensão de sistemas que não são ocidentais, nem liberais, nem democracias liberais, talvez nem mesmo democracias, e ainda fazem nações de sucesso. Hoje em dia, as estrelas das análises internacionais são Singapura, China, Índia, Turquia e Rússia. E eu acredito que a nossa comunidade política [húngara] antecipou corretamente este desafio.”