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Trump faz de Macri seu grande aliado contra Nicolás Maduro

JIM WATSON/GETTY IMAGES

Presidente argentino foi recebido por Trump. Um precisa de investimento estrangeiro e o outro de aliados sul-americanos

Donald Trump e Mauricio Macri reencontraram-se quinta-feira, agora como Presidentes depois de uma relação de décadas como empresários. Um encontro na Casa Branca com grande incidência regional, pois ao completar 100 dias no poder, a Administração Trump pode começar a aplicar sanções à Venezuela e a rever os acordos com Cuba.

“Os dois Presidentes manifestaram a sua preocupação com a deteriorada situação na Venezuela e concordaram em trabalhar estreitamente para preservar as instituições democráticas no país”, lê-se no comunicado publicado a seguir à reunião em Washington.
“Macri será um grande Presidente. Apoio-o e sinto-me confortável com isso” afirmou Trump num claro piscar de olhos a um potencial aliado na América do Sul, região onde os EUA perderam influência nos últimos anos.

O interesse é mútuo. Macri precisa urgentemente de investimento estrangeiro para que o seu plano económico funcione. Trump tem problemas mais sensíveis noutras zonas do globo e precisa de um líder sul-americano em quem possa confiar contra o regime venezuelano. As relações de Trump com o México vão de mal a pior e outros países da região têm grandes desafios internos e deverão mudar de governo este ano ou em 2018.

“A Argentina é vista como estável e previsível pela Casa Branca, enquanto Brasil, Colômbia e Chile — devido às suas conjunturas políticas internas — não permitem acordos a médio e longo prazo”, explica o analista Marcelo Elizondo, da consultora Desenvolvimento de Negócios Internacionais (DNI).

Acresce o facto de Macri e Trump se conhecerem desde os anos 80 e de a origem empresarial de ambos lhes permitir um sentido mais prático do que político a negociar acordos. “Entendem as estratégias e os objetivos de maneira diferente dos políticos de carreira”, considera Elizondo, salientando que “Trump sente-se mais confortável com as relações bilaterais do que com as multilaterais”.

Recurso ao Vaticano

Os fóruns regionais como o Mercosul e a União da Nações Sul-Americanas (Unasul) têm uma palavra a dizer na questão venezuelana. A Argentina acaba de assumir a presidência da Unasul em acumulação com a do Mercosul, instância que já suspendeu a Venezuela e abriu um processo que poderá levar à sua expulsão do bloco. No âmbito da Unasul, Buenos Aires pondera pedir a todos os países da América do Sul para apoiarem uma iniciativa que está a amadurecer com o Vaticano: a formação de um grupo de mediação entre Nicolás Maduro e a oposição. Uma intervenção que poderá vir a contar com o apoio do próprio Papa Francisco para levar a uma saída de Maduro pela via democrática.

“A Venezuela preocupa-nos, dado o impacto nos países vizinhos, com muitos venezuelanos a emigrarem. O risco é maior para a Colômbia, no seu enorme esforço para sair de 50 anos de guerra”, afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros argentina, Susana Malcorra.