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Macron: Europa deve reformar-se sob pena de enfrentar um “Frexit”

Sylvain Lefevre/Getty Images

O candidato centrista às eleições presidenciais francesas disse que “aceitar que a UE continue a funcionar como funciona” seria uma “traição”

Helena Bento

Jornalista

Emmanuel Macron, o candidato centrista às eleições presidenciais francesas, afirmou que a Europa deve reformar-se sob pena de enfrentar um “Frexit”, à semelhança do que aconteceu com o Reino Unido.

Embora se assuma como “pró-europeu", tendo defendido “constantemente, ao longo da corrida eleitoral, o ideal europeu, assim como as políticas da União Europeia”, por acreditar que “são extremamente importante para os franceses e para o lugar do país num mundo globalizado”, Macron diz que é “necessário encararar a atual situação da Europa e ouvir o povo francês, que se tem mostrado muito zangado e impaciente” face à “disfuncionalidade da UE, que deixou de ser sustentável”.

O candidato, que falava esta segunda-feira à BBC, disse que o seu mandato irá servir, “ao mesmo tempo, para reformar em profundidade a União Europeia e o projeto europeu” dos franceses. “Aceitar que a UE continue a funcionar como funciona”, acrescentou Macron, seria uma “traição”.

No domingo à noite, em entrevista à estação televisiva TF1, o ex-candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, disse que seria um “erro terrível” votar em Marine Le Pen. Criticado pela sua posição ambígua em relação à segunda volta do escrutínio presidencial, que se realiza a 7 de maio, Mélenchon garantiu que a sua posição não é a de “nem-nem” - “nem um nem outro”. “A todos os que me ouvem, digo-lhes que sobretudo não votem na Frente Nacional”, o partido de Le Pen, sustentou.

O líder do movimento França Insubmissa, que na primeira volta das eleições presidenciais obteve 19,58% dos votos, atrás de François Fillon, Marine Le Pen e Emmanuel Macron, deixou ainda um conselho ao candidato centrista. “Em vez de me insultar e torcer o braço aos meus amigos, porque não faz um gesto, não tenta falar aos insubmissos [membros do movimento de esquerda que lidera], por exemplo, afastando a sua ideia de rever a lei do trabalho? Ele está a correr riscos ao fazer o que fez”, disse.