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Assassínios extrajudiciais? A Coreia do Norte é mais importante. Trump convida Duterte a visitá-lo

YE AUNG THU/GETTY IMAGES

A próxima ida à Casa Branca representa uma validação importante para um líder que prometeu matar e tem cumprido. Aos milhares

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump convidou o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, a visitar a Casa Branca. O anúncio, que está a ser criticado por organizações de direitos humanos e por muitos políticos (incluindo alguns aliados do Presidente) foi feito após uma conversa telefónica entre os dois líderes. Como em contactos anteriores, Trump não deu qualquer sinal de desaprovar a onda de assassínios extrajudiciais de alegados traficantes de droga - muitos deles inocentes - que o Presidente filipino lançou desde que foi eleito, e que já fez umas estimadas oito mil vítimas.

Segundo o porta-voz de Duterte, “a discussão que transpirou entre os presidentes foi quente, com o Presidente Trump a expressar a sua compreensão e apreciação pelos desafios que o Presidente filipino enfrenta, em especial no que respeita às drogas perigosas". Horas depois, a Casa Branca essencialmente confirmou essa versão do telefonema. Num comunicado oficial, disse que Trump tinha tido "uma conversa muito amigável com o senhor Duterte”, na qual foi discutido “o facto de as Filipinas estarem a lutar muito duramente para se livrarem das drogas”.

Prudência e paciência, recomenda Duterte aos EUA

As posições de Trump representam uma inversão face às assumidas pelo seu predecessor, Barack Obama, que instou Duterte a parar os assassinatos extrajudiciais e viu o Presidente filipino responder chamando-lhe “filho da puta”, entre outras coisas. Duterte também ameaçou romper a ligação próxima que os dois países têm a nível militar e deu a entender que ia privilegiar as relações com a Rússia e mesmo com a China, apesar do conflito que este último país mantém com as Filipinas e outros países da zona, por causa das iniciativas chinesas para ocupar partes do Mar do Sul da China que a lei internacional considera não lhe pertencerem.

Duterte renunciou a aplicar o julgamento de um Tribunal Internacional a favor do seu país e propõe-se agora aparecer como um promotor da paz no sudoeste asiático. Durante a cimeira da ASEAN, que teve lugar em Manila no sábado, recomendou a Trump moderação na sua atitude para com a Coreia do Norte: “Seria bom que a América se restringisse um pouco e se eu fosse o Presidente Trump, recuava, não como rendição e retirada, mas apenas para que o gajo percebesse que, 'Ah, por favor, não faça isso' (...) Compete à América, que tem o pau maior, ser prudente e paciente. Sabemos que estamos a lidar com alguém que se delicia em disparar os seus mísseis e tudo”.

Pela sua parte, a Casa Branca reiterou que a ameaça principal na zona é a Coreia do Norte e disse que o convite a Duterte “não significa que os direitos humanos não importam, mas que os desenvolvimentos na Coreia que enfrentamos são tão sérios que precisamos da cooperação, a algum nível, de tantos parceiros quantos pudermos”.