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Internacional

Marine Le Pen suaviza discurso anti-euro

Jeff J Mitchell/Getty Images

Depois de ter proposto a coexistência de duas moedas e uma Frexit em seis meses, a candidata da extrema-direita às presidenciais francesas afirmou, em entrevista, que “a transição do euro para uma moeda nacional poderá ser feita em um ano ou ano e meio”.

Helena Bento

Jornalista

Numa entrevista publicada este domingo no jornal francês “Sud Ouest”, Marine Le Pen disse que, “se todos concordarem, a transição do euro para uma moeda nacional poderá ser feita em um ano ou ano e meio”.

As declarações da candidata da Frente Nacional à presidência francesa demonstram, segundo alguns analistas, o quão está agora empenhada em “suavizar o discurso anti-euro” que teve até aqui, de modo a conquistar uma parte da direita conservadora que continua a escapar-lhe das mãos — Le Pen chegou a defender uma saída da França do projecto europeu, um Frexit, no espaça de seis meses. Um estudo recente, citado pela Lusa, mostra que cerca de 70% dos franceses são a favor da permanência na moeda única.

A escolha de Nicolas Dupont-Aignan, líder do partido gaulista Debout La France, para primeiro-ministro, caso seja eleita Presidente do país, representará igualmente um piscar de olho à direita conservadora que apoia o derrotado François Fillon, sugerem vários analistas.

Já este domingo, as palavras de Len Pen, numa entrevista ao jornal francês “Le Parisien”, foram amplamente citadas pela imprensa nacional e internacional. A candidata da extrema-direita às eleições francesas, cuja segunda volta se realiza a 7 de maio, propôs a coexistência de duas moedas, uma para operações internas e outra para as internacionais.

“Haverá uma moeda para compras diárias e outra para as grandes empresas que comercializam internacionalmente”, explicou Le Pen, para quem o euro é “está morto” e é, “em grande parte, responsável pelo desemprego em massa” em França, por não estar “adaptado” à economia francesa.

Na mesma entrevista ao “Le Parisien”, Le Pen afirmou que se chegar ao poder vai negociar com a União Europeia no sentido de recuperar “quatro soberanias” que considera “essenciais”. São elas o “território, a lei, a economia e a moeda”. A candidata adiantou ainda que, se a negociação falhar, irá avançar para referendo. “Se votarem não, não poderei manter-me em funções”, afirmou Marine Le Pen, sublinhando, porém, que se ganhar o referendo passará a ter “uma posição de força que a UE será obrigada a aceitar”, pois não quererá deixar partir um país fundamental, como aconteceu com o Reino Unido.

A primeira volta das eleições francesas realizou-se a 23 de abril. Emmanuel Macron, o candidato centrista pró-europeu, venceu com 24,01% dos votos. Em segundo lugar, ficou Marine Le Pen, que conseguiu 23,30% dos votos.