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Internacional

Manifestações fazem bem ao comércio venezuelano

MIGUEL GUTIERREZ / EPA

Nem tudo na Venezuela vai de mal a pior, o aumento das manifestações incrementou o comérico de rua. Em alta estão as comidas rápidas e quem tem mais fome é a oposição. Os defensores do governo querem apenas saber os preços dos produtos

O aumento das manifestações na Venezuela está a impulsionar o comércio em vários locais de Caracas, num país oficialmente em crise e onde grande parte da população está impedida, por diversos tipos de compromissos, de participar nos protestos. "Os dias de marcha são de mais trabalho, porque há muito mais pessoas que precisam de comprar água, refrigerantes, 'malta' (bebida à base de malte), e algo ligeiro para comer, desde bolachas a sandes e ovos cozidos", disse à agência Lusa um comerciante local.

Gerente de um pequeno café na avenida Francisco Solano (a leste de Caracas) Juan Silva tem visto passar manifestantes quer da oposição quer apoiantes do regime, apesar destes terem passado a manifestar ao longo da avenida Libertador (dois quarteirões a norte). "Felizmente por aqui não tem havido problemas, mas mais perto da praça Venezuela e do centro de Caracas é que as coisas se complicam", explicou, recordando que em 2014 teve mesmo que fechar as portas, por questões de segurança.

Por outro lado, em La Campiña (também na zona leste), Asdrúbal Silvera, tem também muito trabalho quando há marchas. Acompanhado por um familiar, vende pipocas, refrigerantes e até bandeiras da Venezuela aos manifestantes. "As coisas, do lado da oposição têm mudado. Antes vendia-se mais nas manifestações a favor do regime, porque os 'esquálidos' (nome dado pelo regime aos opositores) saíam de casa com 'coolers' (caixas térmicas), já com água ou refrigerante e sandes em bolsinhas plásticas e não compravam quase nada. Agora os 'esquálidos' são os que geram mais vendas, enquanto do outro lado muita gente pergunta o preço, mas só alguns compram", explicou.

Nas torres do Parque Central (nas proximidades do centro de Caracas) há vários restaurantes que tiram partido das manifestações na avenida Bolívar e onde, segundo um comerciante, predominam as marchas a favor do regime, que depois de algumas horas de concentração ajuda a compor os negócios do comércio local. "Eles procuram principalmente bebidas, água e até cerveja, mas também sumos de frutas, 'arepas' (espécie de pão de milho recheado com carnes ou queijos) e sopas de frango ou carne, que se fazem em grandes quantidades, que alimentam e comem-se rapidamente", disse.

José Martins explicou que com antecipação é preciso falar com fornecedores para conseguir mais caixas daquilo que vai ser mais pedido, incluindo cigarros e até cartões de recargas de saldos de telemóveis."Quando as manifestações começam isto fica tudo vermelho (cor das 't-shirts') pela quantidade de gente. Há medida que vai ficando vermelho vai-se intensificando o trabalho e nesses dias todos os trabalhadores aparecem. Essas vendas dão-nos um 'respirito'", frisou.

Na esquina das torres, num quiosque de revistas a proprietária apetrecha-se antecipadamente com 'chucharias' (bolos, rebuçados e guloseimas) antecipando a entrada de dinheiro extra. "Se não temos não vendemos. Todos precisamos de entradas extraordinárias, porque elas dão vida ao negócio e ajudam a pagar contas. Os jornais agora vendem-se menos e estão mais caros, é preciso ter variedade", frisou.