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Internacional

Papa no Egito não se cala contra a "violência cometida em nome de Deus"

"OSSERVATORE ROMANO" / Reuters

O único fanatismo aceitável aos crentes é pela caridade, anunciou Francisco no seu segundo dia de visita ao Egito. Entretanto, crescem as reivindicações a favor da ordenação de padres casados. Desta vez, no Reino Unido

O segundo dia da visita oficial do Papa Francisco ao Egito abriu com uma missa para cerca de 20 mil pessoas, num estádio militar no Cairo. O líder da Igreja Católica alertou para os "falsos crentes" e o "extremismo", exortando à utilização da fé para auxiliar os outros, segundo citações da Agencia Ecclesia.

“A verdadeira fé é a que nos leva a proteger os direitos dos outros, com a mesma força e o mesmo entusiasmo com que defendemos os nossos”, sublinhou o Papa. Na homilia, traduzida para o árabe, Francisco apresentou a “fé verdadeira” como aquela que torna os fiéis “mais caridosos, mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos”. “Deus só aprecia a fé professada com a vida, porque o único extremismo permitido aos crentes é o da caridade. Qualquer outro extremismo não provém de Deus nem lhe agrada”, declarou.

Durante a celebração, que alternou o latim e o árabe, num ambiente de festa, Francisco saudou a multidão e pediu que rezassem pelas "vítimas da violência e do terrorismo", em particular os "mártires" do Egito, pelos refugiados e por todos os que tiveram de deixar a sua terra. O Papa convidou ainda os católicos a “amar todos gratuitamente, sem distinção nem preferências”, sem ver no outro um inimigo, mas um irmão a “amar, servir e ajudar”.

Na primeira celebração do último dia de viagem ao Egito, iniciada esta sexta-feira, Francisco deixou um alerta: “Para Deus, é melhor não acreditar do que ser um falso crente, um hipócrita”. A cerimónia contou com a participação das várias comunidades católicas no Egito, representantes de comunidades ortodoxas e muçulmanas.

Depois da missa, Francisco almoça com os bispos católicos do país e, às 15h15 (14h15 em Lisboa), tem um encontro de oração com membros do clero, de institutos religiosos e seminaristas de um país onde os católicos representam apenas 0,31% da população. A cerimónia de despedida de uma viagem que é considerada de alto risco para a segurança do Papa está marcada para as 17h locais.

Francisco está a relançar o diálogo interreligioso e o apoio à comunidade copta, de dez milhões de cristãos, que tem sofrido perseguições religiosas no Egito. No último atentado, ocorrido no Domingo de Ramos, 45 pessoas morreram. Ao chegar ao país, Francisco foi recebido pelo Presidente Fattah al-Sisi, no cargo desde 2013 depois de um golpe militar.

A visita ao Egito foi a primeira deslocação de Francisco ao estrangeiro em 2017 e 18ª viagem internacional do pontificado, antecedendo a vinda a Fátima, para as celebrações do Centenário das Aparições, a 12 e 13 de maio.