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Duterte deixa alerta aos EUA: Líder norte-coreano “quer acabar com o mundo”

MARK R. CRISTINO/EPA

Presidente das Filipinas admitiu que a região do sudeste asiático “está extremamente preocupada com as tensões crescentes entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte”, sublinhando que “qualquer passo em falso poderá ser uma catástrofe” com consequências para a Ásia, “que seria a primeira vítima” de uma eventual “guerra nuclear”

Helena Bento

Jornalista

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, pediu este sábado contenção ao seu homólogo norte-americano, depois de a Coreia do Norte ter disparado um novo míssil balístico. Os EUA, disse Duterte, devem evitar entrar no jogo do líder norte-coreano, Kim Jong-un, cujo único desejo é “acabar com o mundo”.

Na sexta-feira, a Coreia do Norte lançou um novo míssil de médio alcance a partir da parte ocidental do país. “A Coreia do Norte disparou um míssil não identificado a partir de um local em Bukchang, na província de Pyeongan do Sul [que fica perto da capital, Pyongyang], à primeira hora da manhã", informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, num comunicado divulgado pela agência noticiosa Yonhap. Segundo fontes norte-americanas e sul-coreanas, o lançamento, que aconteceu às 5h30 locais (21h30 de Lisboa), não foi, porém, bem-sucedido. Terá rebentado ao fim de alguns minutos após o lançamento, tendo os destroços caído no Mar do Japão, segundo as mesmas fontes. Um militar sul-coreano admitiu igualmente que o lançamento tinha falhado, embora não especificando a distância percorrida nem confirmando se o míssil explodiu pouco tempo depois do lançamento. Em reação ao sucedido, o presidente norte-americano Donald Trump escreveu na sua conta no Twitter que a Coreia do Norte “faltou ao respeito aos desejos da China e do seu Presidente altamente respeitado quando lançou, ainda que sem sucesso, um míssil”.

Duterte, que falava numa conferência de imprensa durante a cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que decorre em Manila, capital das Filipinas, admitiu que a região do sudeste asiático “está extremamente preocupada com as tensões crescentes entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte”, sublinhando que “qualquer passo em falso poderá ser uma catástrofe” com consequências para a Ásia, “que seria a primeira vítima” de uma eventual “guerra nuclear”. Os EUA, o Japão e a Coreia do Sul, afirmou o Presidente filipino, têm à sua frente um homem “para quem a perspetiva de lançar mísseis é excitante”.

Rodrigo Duterte, eleito Presidente das Filipinas em maio de 2016, informou ainda que tenciona telefonar a Donald Trump este sábado à noite para aconselhá-lo a não entrar em confronto com Kim Jong-un. “Temos, diante de nós, dois países que gostam de exibir os seus brinquedos, ainda que estes brinquedos não sirvam propriamente para entreter”, disse o Presidente, referindo-se a Pyongyang e Washington. Quanto ao líder norte-coreano, “não sei nem quero saber o que tem na cabeça, mas a verdade é que ele está a levar o nosso planeta ao limite”. Cabe aos Estados Unidos, disse ainda Duterte, refrear as “provocações” de Kim Jong-un, que simplesmente “quer acabar com o mundo” e é por isso que está “sempre tão contente, sempre a sorrir”.