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Trump elogia esforços do “bom homem” Xi Jinping para refrear tensões com a Coreia do Norte

JIM WATSON

Em entrevista à Reuters, Presidente norte-americano diz que quer resolver a atual crise pela via diplomática mas que esse é um objetivo “difícil” de alcançar e que não está excluída a possibilidade de um “grande, grande conflito”

Donald Trump elogiou ontem a gestão chinesa da crise com a Coreia do Norte, classificando Xi Jinping como um "homem muito bom" que "ama o seu país". Em entrevista à Reuters, na véspera de se marcarem 100 dias da presidência Trump, o líder norte-americano garantiu que quer resolver a crise com Pyongyang diplomaticamente mas que isso pode provar-se "difícil" e que um "grande, grande conflito" pode vir a estalar.

A entrevista foi publicada na véspera de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, marcada para esta sexta-feira e com a questão norte-coreana na ordem do dia. Em antevisão do encontro, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, declarou ontem que a China garantiu à administração Trump que vai impôr sanções a Pyongyang caso o regime de Kim volte a executar testes nucleares.

As declarações de Trump sobre o Presidente chinês marcam um revés na sua postura, depois de ter passado a campanha eleitoral a lançar ataques retóricos contra Pequim e de ter declarado, não há muito tempo, que estava empenhado em "resolver sozinho" a ameaça norte-coreana caso a China não aumentasse a pressão ao regime de Kim.

Na entrevista de fundo com a Reuters, conduzida na Sala Oval, Trump, que se encontrou pessoalmente com o homólogo chinês no início de abril, reconheceu que o líder "certamente não quer turbulência nem morte". "Ele é um homem muito bom e eu pude ficar a conhecê-lo muito bem. Ele ama a China e ama o povo da China. Eu sei que ele gostaria de poder fazer alguma coisa, mas é possível que não possa."

Sobre Kim Jong-un, Trump declarou: "Ele tem 27 anos, o pai dele morre, ele assume [a liderança] do regime. Diga-se o que se disser isso não é fácil, especialmente naquela idade." Apesar disso, sublinhou que "não lhe vai dar crédito" e disse esperar que ele seja "racional", sob pena de se vir a assistir a "um grande, grande conflito com a Coreia do Norte, absolutamente".

A entrevista do Presidente seguiu-se a uma outra pelo seu chefe da diplomacia, que em declarações à Fox News disse que a China já voltou a pedir à Coreia do Norte que evite conduzir mais testes — quer de mísseis balísticos, como os que tem executado nos últimos meses, quer nucleares, numa altura em que se suspeita que o regime de Kim está preparado para um novo teste nuclear, o sexto desde 2006.

Neste momento, Pequim mantém as importações de carvão norte-coreano suspensas desde fevereiro e estará também a considerar impôr restrições às encomendas de petróleo se Pyongyang continuar a comportar-se de forma beligerante.

Hoje, Tillerson vai presidir ao encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Segurança, no qual vai pedir aos países-membros do organismo que trabalhem para "aplicar totalmente" as atuais sanções à Coreia do Norte por forma a "aumentar a pressão ao regime".

O Presidente da Rússia pediu entretanto que as conversações com a Coreia do Norte sejam retomadas para evitar que as tensões continuem em crescendo na região. Em Moscovo, após um encontro com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, Vladimir Putin pediu a todos os envolvidos que "evitem usar retórica beligerante".