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Protestos, voos cancelados e transportes públicos afetados. A manhã da “greve que quer voltar a parar o Brasil”

SERGIO MORAES/REUTERS

Descrita como a “primeira tentativa de voltar a parar o país em 20 anos”, a greve geral desta sexta-feira foi convocada pelas principais centrais sindicais brasileiras, em protesto contra as reformas do mercado de trabalho e da segurança social do Presidente Michel Temer

Helena Bento

Jornalista

Protestos nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, atrasos e cancelamento de voos, autocarros e metros a circularem de forma parcial, lojas e bancos fechados. Mais de uma dezena de pessoas detidas. No Aracaju, cidade do estado de Sergipe, vários lojistas fecharam as portas, e em Alto dos Rodrigues, município no estado brasileiro do Rio Grande do Norte, os funcionários da Petrobras fecharam os portões de uma das bases e juntaram-se aos protestos. Eis os principais acontecimentos que marcaram a manhã desta sexta-feira no Brasil, dia de greve em todo o país.

Descrita como a “primeira tentativa de voltar a parar o país em 20 anos” (BBC Brasil), a greve foi convocada pelas principais centrais sindicais brasileiras, em protesto contra as reformas do mercado de trabalho e da segurança social do Presidente Michel Temer. Esta manhã, a edição brasileira do “El País”, que está a acompanhar a greve, escrevia que, “fora os protestos, que se estenderam a ruas e avenidas importantes de algumas capitais do país, onde manifestantes queimaram pneus e montaram barricadas, a região central de São Paulo encontra-se praticamente deserta”. “Quem buzina, apoia a luta!”, ouvia-se esta manhã num dos largos da cidade, que amanheceu sem transportes públicos - sem metro, sem autocarro e sem trem - embora ao final da manhã a circulação já tivesse sido “parcialmente” normalizada. Também em São Paulo, e de acordo com o mesmo jornal, que cita a Secretária de Segurança Pública da cidade, foram já detidas 16 pessoas nas manifestações, “por agressão a polícias e atos de vandalismo”. Ainda segundo a edição brasileira do “El País”, os bancos não abriram esta sexta-feira, nesta e noutras cidades do país.

No Rio de Janeiro, houve um protesto no aeroporto Santos Dumont. A edição online da revista brasileira “Veja”, que está igualmente a acompanhar em direto os acontecimentos relacionados com a greve, fala numa “briga” que envolveu “manifestantes que protestavam no saguão do aeroporto”. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram um grupo de pelo menos sete homens, alguns deles vestidos com coletes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), “trocando socos e xutos com outros três homens”, escreve a revista. Vários manifestantes bloquearam o trânsito em vários pontos da cidade, mas os transportes públicos estão a funcionar.

Em Brasília, os autocarros e os metros estão parados. O aeroporto está a funcionar, mas foi posta a circular a mensagem de que os voos podem ser atrasados ou mesmo cancelados. Em Fortaleza, o comércio abriu “normalmente”, indiferente aos “pedidos dos bancários dirigidos aos lojistas para que estes fechem as portas”, mas “o movimento de consumidores ainda é muito pequeno”, lê-se na edição online da revista brasileira Exame. Há ainda registo de protestos em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) e em Pernambuco, onde, de acordo a revista Exame, a greve fez a sua primeira vítima mortal - um motociclista que terá sido atropelado por um homem que seguia numa carrinha, quando este tentou desviar-se de um bloqueio numa estrada, no município de Cabo de Santo Agostinho. Já em Marituba, na região metropolitana de Belém, a Alça Viária do Pará (complexo de pontes e estradas que liga Belém aos municípios do interior do estado) esteve durante a manhã bloqueado por manifestantes.

Sindicatos esperam que seja “a maior greve geral da história”. Lula da Silva manifestou o seu apoio à mobilização numa mensagem publicada na sua conta do Twitter: “É uma greve que pode fazer com que o povo queira um Congresso mais comprometido com a sociedade”, escreveu o ex-presidente do país. A paralisação, conforme foi noticiado ao longo da última semana pelos meios de comunicação nacionais e internacionais, deverá atingir o setor dos transportes públicos (metro e autocarros), serviços administrativos, correios, aeroportos, bancos, escolas (públicas e privadas) e hospitais, entre outros setores de atividade. Os trabalhadores do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, anunciaram a sua adesão à greve geral. Alguns setores da Igreja Católica também manifestaram o seu apoio, bem como várias estruturas afetas ao setor privado.

Na quarta-feira, a Câmara de deputados aprovou o projeto de reforma do mercado de trabalho por 296 votos a favor e 177 contra, dando início àquela que tem sido considerada “a maior mudança na legislação trabalhista brasileira desde a criação da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), em 1943”. O texto será entretanto encaminhado para o Senado, para apreciação.

Além da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que é a maior central sindical do país, convocaram a greve a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Intersindical, CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), UGT (União Geral dos Trabalhadores), Força Sindical, Nova Central, CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).