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Montenegro prepara-se para ratificar adesão à NATO contra desejo da Rússia

Dusko Markovic foi eleito primeiro-ministro no final de 2016

SAVO PRELEVIC

Moscovo anunciou que vai suspender as importações de vinho da pequena nação dos Balcãs

O parlamento montenegrino prepara-se para aprovar esta sexta-feira a adesão do país à NATO sob forte condenação da Rússia, que já anunciou a suspensão das importações de vinho sob o argumento de que o produto exportado pelo pequeno país dos Balcãs não passou nos testes de higiene.

Atualmente, um quinto das exportações de vinho do Montenegro vão para a Rússia, pelo que a decisão anunciada esta semana por Moscovo deverá ter um enorme impacto na balança comercial do país. "É óbvio que a decisão surge no contexto da adesão à NATO", acusou ontem o chefe do governo montenegrino, que tomou posse em novembro passado.

A adesão à aliança atlântica tem estado envolvida em controvérsia também dentro do país, com o primeiro-ministro, Dusko Markovic, a rejeitar as acusações de que a decisão é politicamente motivada.

O Montenegro está em processo de adesão à aliança desde 2009, precisamente uma década depois de a NATO ter sujeitado a pequena nação a uma campanha de três meses de bombardeamentos durante a guerra do Kosovo.

Até 2006, quando o país se tornou independente da Sérvia, os montenegrinos e os sérvios compunham um só país, que foi bombardeado por aviões da NATO entre março e junho de 1999.

Para hoje, a oposição e grupos de pacifistas anti-NATO convocaram manifestações contra a assinatura do protocolo de adesão à aliança militar pelo parlamento, numa cerimónia que vai decorrer na antiga capital real montenegrina, Cetinje.

A votação desta sexta-feira marca um dos últimos passos para concluir o longo processo de adesão, depois de o Partido Social Democrata (na oposição desde outubro) ter anunciado que os seus deputados iam votar a favor do passo juntamente com os 42 legisladores da atual coligação chefiada por Markovic.

A Frente Democrática, outro dos principais partidos da oposição montenegrina, já prometeu reverter esta decisão caso vença as próximas eleições legislativas. Este e outros partidos defendem que o tema devia ter sido levado a referendo e que a assinatura do protocolo de adesão não representa a visão de todos os habitantes do país.

Para poder aceder à NATO, o protocolo que deverá ser aprovado pelo parlamento nacional hoje tem também de ser ratificado pelos parlamentos dos 28 Estados-membros da aliança. Neste momento, todos, à exceção da Holanda e de Espanha, já votaram a favor da entrada do Montenegro.

A decisão do governo de Markovic está a irritar a oposição mas também a Rússia, cujas ligações cristãs ortodoxas ao pequeno país dos Balcãs remontam ao czarado da Rússia e consequente império de Pedro, o Grande (1672-1725).

Há um mês, as autoridades montenegrinas acusaram Moscovo de estar por trás de uma alegada tentativa de golpe falhada com o objetivo de depôr o atual governo, próximo do Ocidente, e arruinar os esforços de adesão à NATO. O governo de Vladimir Putin rejeita as alegações.

Na semana passada, o ex-líder do Montenegro, Milo Djukanovic, que foi primeiro-ministro do país em quatro ocasiões, classificou a votação desta sexta-feira como um passo "da maior importância histórica" e acusou a oposição de estar a "acenar com uma arma descarregada" a mando da Rússia.