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Apoiantes do anterior governo da Macedónia invadem Parlamento

ROBERT ATANASOVSKI/GETTY

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas, entre elas o líder do partido que venceu as eleições de dezembro sem maioria, na sequência de confrontos entre manifestantes e deputados, depois de um albanês étnico ter sido eleito para presidir à assembleia legislativa

Dezenas de manifestantes invadiram esta quinta-feira o Parlamento da Macedónia após um albanês étnico ter sido eleito para presidir à assembleia legislativa. Os confrontos que se seguiram provocaram pelo menos dez feridos, entre eles o líder da União Social Democrata, Zoran Zaev, que continua sem conseguir formar governo depois de ter vencido as legislativas de dezembro passado sem maioria.

Os manifestantes, que apoiam o ex-primeiro-ministro Nikola Gruevski e o seu partido VMRO, exigem que sejam convocadas novas eleições, numa altura em que a ex-epública da Jugoslávia continua mergulhada numa crise política no rescaldo dessa eleição inconclusiva — 16 anos depois de o país quase ter entrado em guerra civil na sequência de uma revolta da minoria albanesa.

Apesar de atiçada pela última ida às urnas, a atual crise remonta, contudo, há pelo menos dois anos, quando um escândalo de escutas forçou a demissão de dois ministros do governo de Gruevksi.

No início deste ano, Zaev criou uma coligação com partidos que representam a população étnica albanesa da Macedónia, cerca de um quarto do total de habitantes e a segunda maior etnia do país. As tentativas de formar um governo com esses movimentos políticos têm sido sucessivamente bloqueadas pelo Presidente, Gjorge Ivanov, que está no poder desde 2009 e que pertence ao VMRO de Gruevski.

Os nacionalistas macedónios têm estado a liderar protestos nas ruas de Escópia, a capital, desde que Zaev anunciou as suas intenções de formar coligação com os étnicos albaneses. Ontem, perante a eleição de Talat Xhaferi para presidir ao Parlamento, cerca de 200 pessoas invadiram o edifício, algumas com as caras tapadas com máscaras, para contestarem essa decisão.

A polícia disparou granadas atordoantes para dispersar os manifestantes e permitir que os legisladores pudessem abandonar o Parlamento. Num comunicado publicado no Twitter, a embaixada dos EUA em Escópia condenou a violência "nos mais fortes termos", dizendo que "não é consistente com a democracia e não é de forma alguma aceite para resolver diferenças".

Na mesma rede social, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse estar "chocado" com os "ataques" e pediu "a todas as partes que respeitem o processo democrático e se envolvam em diálogo, não em violência".

A mesma ideia foi ecoada pelo comissário da União Europeia para políticas regionais, Johannes Hahn. “A violência NÃO tem lugar no Parlamento. A democracia tem de seguir o seu curso.”