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Estados Unidos vão reforçar sanções à Coreia do Norte

Esta é uma das fotos divulgadas pela agência norte-coreana KCNA nos últimos dias

STR

Secretário de Estado, secretário da Defesa e diretor dos serviços secretos garantem que a administração Trump continua “aberta a negociações” com o objetivo de desnuclearizar Pyongyang, mas advertem: “Continuamos preparados para nos defendermos e aos nossos aliados”

O governo norte-americano diz que vai reforçar as sanções à Coreia do Norte e também os esforços diplomáticos para que o país acabe com os seus programas nuclear e de mísseis. A nova estratégia de Donald Trump foi anunciada na quarta-feira à noite, um dia depois de uma rara reunião na Casa Branca com os 100 senadores dos EUA.

"Os Estados Unidos querem garantir a estabilidade e a desnuclearização pacífica da península coreana", disseram num comunicado conjunto o secretário de Estado Rex Tillerson, o secretário da Defesa Jim Mattis, e o novo chefe dos serviços secretos norte-americanos Dan Coats. "A abordagem do Presidente tem como objetivo pressionar a Coreia do Norte a desmantelar os seus programas nuclear, de mísseis balísticos e de proliferação através do reforço das sanções económicas e de medidas diplomáticas [negociadas] com os nossos aliados e parceiros regionais. Continuamos abertos a negociações com esse objetivo, contudo, continuamos preparados para nos defendermos e aos nossos aliados."

Aos jornalistas, o senador democrata Christopher Coons explicou que, na reunião de terça-feira, foram discutidas opções militares para lidar com a ameaça norte-coreana. "Foi um briefing sóbrio no qual ficou claro o nível de planeamento envolvido na preparação de opções militares caso sejam necessárias – e uma estratégia diplomática que me parece lúcida e bem proporcionada em relação à ameaça."

O aumento da pressão ao regime de Kim Jong-un, já sujeito a duras sanções aplicadas pelo Conselho de Segurança da ONU, acontece numa altura de crescentes tensões na região e foi anunciado um dia depois de a Coreia do Sul ter confirmado que já instalou partes do escudo antimísseis norte-americano, o THAAD, no seu território.

Três pessoas ficaram feridas na quarta-feira em confrontos com a polícia durante um protesto contra a instalação do THAAD na Coreia do Sul

Três pessoas ficaram feridas na quarta-feira em confrontos com a polícia durante um protesto contra a instalação do THAAD na Coreia do Sul

ED JONES

Antes do comunicado chegar às redações, o chefe do Comando dos EUA para o Pacífico defendeu o destacamento do controverso e avançado sistema de defesa de mísseis na Coreia do Sul, um passo que preocupa tanto Pyongyang como a Rússia e a China.

Citado pelos media norte-americanos, o almirante Harry Harris declarou que os EUA estão armados "com a melhor tecnologia" para derrotar qualquer ameaça de mísseis – numa referência à instalação do THAAD na Coreia do Sul que, garante o comandante, tem como objetivo forçar o líder norte-coreano a "ganhar noção, não a pô-lo de joelhos" e que vai estar operacional "dentro de dias".

Para Harris, restam poucas dúvidas de que a Coreia do Norte vai tentar atacar os EUA assim que as suas capacidades militares estejam afinadas e reforçadas.

A China continua a acusar os EUA de desestabilizarem a segurança da região com a instalação do escudo antimísseis na Coreia do Sul, onde parte da população local tem levado a cabo protestos recorrentes contra esta estratégia conjunta. Esta quarta-feira, durante a instalação parcial do THAAD num antigo campo de golfe do país, três manifestantes ficaram feridos em confrontos com a polícia.

Fonte da Casa Branca diz que uma das opções diplomáticas das que estão a ser consideradas pela administração Trump passa por voltar a colocar a Coreia do Norte na lista do Departamento de Estado de países que patrocinam o terrorismo.

A última ronda de sanções ao regime norte-coreano tinha sido aplicada há um ano pela anterior administração de Barack Obama, na sequência de um teste nuclear e do lançamento de um satélite tido como um teste encoberto de mísseis balísticos de longo alcance.

Sob essas sanções, as propriedades do governo norte-coreano na América foram congeladas e as exportações ou investimento na Coreia do Norte foram proibidos, com a administração democrata a expandir os poderes para que o futuro governo pudesse incluir na sua lista negra qualquer pessoa, incluindo não-americanos, que negoceie com Pyongyang.