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“Enorme explosão” abala arredores do aeroporto de Damasco

Em março, as forças de Assad bombardearam um subúrbio do leste da capital síria

AMER ALMOHIBANY

Apesar de a capital síria estar, em grande parte, isolada da guerra civil em curso no resto do país há mais de seis anos, nos últimos meses algumas batalhas entre as forças do governo de Assad e os rebeldes armados têm estado a aproximar-se da cidade

Uma área muito próxima do aeroporto internacional de Damasco terá sido atingida por uma "enorme explosão" esta manhã. A notícia está a ser avançada pelo diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, um grupo de monitorização da guerra civil com sede em Londres. "A explosão foi enorme e pôde ser ouvida em Damasco", garante Rami Abdel Rahman citado pela BBC.

O aeroporto fica a cerca de 25 quilómetros a sudeste da capital síria. À explosão ter-se-á seguido um incêndio de grandes proporções, não havendo para já balanço de mortos ou feridos. A causa da explosão também está por desvendar.

De acordo com a TV Al-Manar, do movimento xiita libanês Hezbollah, a explosão decorreu de um ataque aéreo das forças de Israel e só causou danos materiais. Não é a primeira vez que as forças hebraicas são responsabilizadas por bombardeamentos de zonas específicas da Síria, com o alegado objetivo de destruir carregamentos de armas do Hezbollah, que está a combater ao lado das forças de Assad.

Citado pela rádio do Exército israelita, o responsável pelas agências secretas do país, Israel Katz, declarou que o ataque perto do aeroporto de Damasco é "compatível com a política israelita" de prevenção da transferência de armamento. Contudo, o ministro escusou-se a confirmar a autoria do ataque, dizendo apenas que o Estado hebraico se reserva o direito de executar operações desta natureza quando considera que assim é requerido.

Testemunhas citadas pela Al-Jazeera dizem que, durante a madrugada, a estrada que liga o aeroporto ao central da capital síria foi alvo de cinco bombardeamentos aéreos.

Desde que a guerra civil estalou na Síria em março de 2011, Damasco tem estado relativamente isolada da violência, que já provocou pelo menos 320 mil mortos e milhões de refugiados e de deslocados internos. Contudo, nos últimos meses irromperam muito perto da cidade batalhas entre as forças leais a Bashar al-Assad e os grupos rebeldes que combatem o seu governo.

Há um mês, Assad foi acusado de ordenar o bombardeamento de um subúrbio oriental de Damasco depois de alguns grupos rebeldes terem lançado uma ofensiva surpresa contra as forças governamentais no distrito de Jobar.

Mais de seis anos depois do início da guerra, continua a não haver qualquer solução política à vista para acabar com a chacina de civis e garantir a transição pacífica de poder no país.