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Combatentes estrangeiros abandonam fileiras do Daesh

AHMAD AL-RUBAYE/GETTY IMAGES

Responsáveis na Turquia e na Europa confirmaram que um “número significativo” de combatentes estrangeiros entraram em contato com as respectivas embaixadas para poderem regressar aos seus países

Helena Bento

Jornalista

Vários combatentes estrangeiros e simpatizantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) abandonaram nas últimas semanas as fileiras do grupo radical na Síria e no Iraque, face ao colapso cada vez mais evidente dos jiadistas nos dois países.

Responsáveis na Turquia e na Europa confirmaram ao britânico “The Guardian” que um “número significativo” de combatentes que se juntaram ao Daesh a partir de 2013 entraram em contacto com as respectivas embaixadas para poderem regressar aos seus países. “Outros, mais comprometidos ideologicamente com o grupo radical, tentaram entrar de forma ilegal na Turquia para, a partir daí, viajarem para a Europa, onde esperam compensar as perdas do grupo na Síria e no Iraque e gerar o medo de eventuais ataques terroristas junto da população”, escreve o jornal britânico.

Os serviços secretos ocidentais acreditam que entre estes combatentes se encontram “membros proeminentes” do braço de operações externas do grupo, que se juntaram ao Daesh vindos de países como o Reino Unido, Bélgica e Austrália, escreve ainda o “The Guardian”. Pelo menos 250 estrangeiros juntaram-se às fileiras do grupo terrorista entre finais de 2014 e meados de 2016, sendo que a maioria chegou à Síria e ao Iraque depois de atravessar a fronteira turca.

Fontes do Daesh confirmaram ao jornal britânico que o número de combatentes estrangeiros na província de Raqqa, último reduto do grupo terrorista na Síria tem vindo, de facto, a diminuir “a um ritmo significativo”, à medida que as Forças Democráticas da Síria (SDF, na sigla inglesa), apoiadas pelos EUA, avançam sobre as cidades de Raqqa e Tabqa.

O “The Guardian” apurou, além disso, que entre os combatentes que nas últimas semanas abandonaram as fileiras do Daesh encontram-se dois britânicos e um norte-americano – Stefan Aristidou, e a sua esposa, ambos de Enfield, no norte de Londres, e Kary Paul Kleman, da Flórida. Os três ter-se-ão entregado às autoridades turcas junto da fronteira com a Síria, depois de mais de dois anos a viver em zonas controladas pelo Daesh.

No total, mais de 30 mil combatentes estrangeiros viajaram para a Síria para se juntarem às fileiras do autoproclamado Estado Islâmico. O governo dos EUA estima que, desses, 25 mil tenham morrido. Segundo números do governo britânico, 850 cidadãos nascidos no Reino Unido juntaram-se ao Daesh ou a outros grupos jiadistas, como a Jabhat Fateh al-Sham, antiga Frente al-Nusra. Outros terão optado por combater ao lado dos grupos da oposição que lutam contra o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad. Estima-se que metade deles tenham já regressado ao Reino Unido e que cerca de 200 tenham morrido.