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Brasil. Adesão à greve geral ultrapassa o tradicional “Fora Temer”

reuters

Sectores da Igreja Católica, trabalhadores do sector privado, associações de polícias manifestam adesão à greve geral convocada para amanhã pelas principais centrais sindicais brasileiras

Quase um século depois da primeira greve geral, o Brasil vai paralisar esta quinta-feira, dia 28, em protesto contra as reformas do mercado de trabalho e da segurança social que o Governo de Michel Temer está a desenvolver. Alheios ao clima de contestação reinante no país, os deputados aprovaram ontem em primeira leitura o projeto de reforma do mercado de trabalho por 296 votos a favor e 177 contra. Agora o texto base será encaminhado para a apreciação no Senado.

Por todo o país são esperadas esta sexta-feira perturbações nos transportes terrestres e aéreos, nas escolas públicas e privadas, bancos, hospitais entre outros sectores de atividade. Os trabalhadores do aeroporto de Guarulhos (São Paulo) – o maior da América Latina – anunciaram já a sua adesão à greve geral de amanhã, no que foram acompanhados por vários congéneres um pouco por todo o Brasil. Pilotos e pessoal de cabine deverão decidir durante a tarde desta quinta-feira em que moldes participarão na paralisação.

Convocada pelas principais centrais sindicais brasileiras e pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, a greve geral de amanhã está a ter apoio de sectores da Igreja Católica e de várias estruturas afetas ao sector privado.

A própria Central Única dos Trabalhadores (CUT) que representa quase 8 milhões de brasileiros destaca na sua página oficial a adesão de vários sectores da igreja católica e evangélica.

A influência da Igreja Católica estendeu-se a várias escolas particulares em São Paulo, Rio e Fortaleza, salienta a edição brasileira do “El País”. “Sabemos que na convocação feita para a paralisação da próxima sexta-feira existem diferentes motivações políticas e ideológicas. A pluralidade de opiniões é, no entanto, fundamental para o processo democrático”, lê-se numa carta dirigida aos pais do colégio jesuíta de São Luís em São Paulo, citada pelo “El País”.

Quando em muitos Estados como São Paulo, os respetivos governos ameaçam com o desconto do dia de trabalho e outras formas de penalização aos trabalhadores que aderiram à paralisação, a legalidade da greve é confirmada pelo próprio Ministério Público. “ A greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, bem como por Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”, afirma uma nota oficial do Ministério Público do Trabalho, publicada esta quinta-feira de manhã.