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Expresso

Internacional

Coreia do Sul avança com instalação parcial do escudo antimísseis americano

ED JONES

Instalação do controverso sistema THAAD no território sul-coreano é condenada pela Coreia do Norte, pela Rússia e pela China

A Coreia do Sul anunciou esta quarta-feira que algumas partes do controverso sistema de defesa antimísseis dos EUA já foram instaladas no seu território, um dia depois de mais uma demonstração de força pela Coreia do Norte e no mesmo dia em que a China desvendou que o seu novo porta-aviões já está operacional.

A instalação do Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude (THAAD, na sigla inglesa) na Coreia do Sul preocupa há muito Pyongyang, mas também a Rússia e a China, que olham para o poderoso sistema de radares como uma ameaça à sua segurança e interesses estratégicos.

Em comunicado, as autoridades sul-coreanas disseram esta quarta-feira que algumas partes não-especificadas do escudo antimísseis já estão instaladas e prontas a ser utilizadas. No documento é referido que Seul e Washington estão a trabalhar em velocidade-cruzeiro para completar a instalação do sistema por causa da crescente ameaça nuclear norte-coreana.

A retórica bélica entre Kim Jong-un e a administração de Donald Trump tem estado em crescendo nas últimas semanas, no rescaldo de novos testes de mísseis balísticos por Pyongyang que violam uma série de sanções aprovadas pela ONU contra o regime de Kim.

Há uma semana, o governo norte-americano destacou para as águas da península corenana uma frota de ataque nuclear para participar em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul e o Japão, numa altura em que Pyongyang continua a desafiar a comunidade internacional com novos testes de mísseis.

Esta quarta-feira, as autoridades norte-coreanas informaram que na véspera Kim supervisionou o "maior exercício de artilharia de sempre", numa cerimónia que marcou o 85.º aniversário das forças armadas do país. Havia receios de que, em vez do exercício de artilharia, Pyongyang fosse executar o seu sexto teste nuclear desde 2006 perante crescentes pressões dos EUA e da China –que sendo a sua única aliada, também já aplicou sanções ao regime de Kim por causa do seu programa nuclear.

Apesar de nesse ponto estar alinhada com os EUA, Pequim também condena a instalação do THAAD na Coreia do Sul, receando que o poderoso sistema de radares venha a minar a sua segurança e estratégia de defesa.

Até agora, os exércitos norte-americano e sul-coreano têm-se mostrado relutantes em discutir publicamente o progresso do escudo antimísseis, em parte porque neste momento a Coreia do Sul está em campanha para as presidenciais de 9 de maio após o afastamento da anterior Presidente Park Geun-hye.

Esta terça-feira, um submarino nuclear dos EUA que transporta 150 mísseis-cruzeiro Tomahawk chegou a um porto sul-coreano para reforçar a defesa dos aliados e fazer frente à Coreia do Norte. A ele vai juntar-se nos próximos dias a frota de ataque Carl Vinson, que Trump destacou para a península coreana há duas semanas mas que ainda não chegou ao destino. Para o final do mês estão planeados novos exercícios militares dos EUA e da Coreia do Sul na região.