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Internacional

Casa Branca recusa-se a fornecer documentos sobre Michael Flynn ao Congresso

O general Flynn foi afastado da administração Trump em fevereiro

Mario Tama

“Apesar de todos os desenvolvimentos preocupantes, recebemos uma resposta da Casa Branca a recusar-se a fornecer quaisquer documentos como requerido”​​​​​​​, acusa Elijah Cummings, democrata de topo da comissão permanente de serviços de informação

A Casa Branca está a recusar-se a fornecer aos congressistas envolvidos na investigação Trump-Rússia documentos sobre Michael Flynn, o ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional (CSN) que foi despedido da atual administração dos EUA por ter debatido formas de suspender as sanções à Rússia com o embaixador daquele país em Washington.

A comissão permanente de serviços de informação da Câmara dos Representantes — uma das duas comissões do Congresso que têm em curso investigações às suspeitas de que pelo menos seis membros do governo Trump mantiveram contactos duvidosos com indivíduos próximos de Vladimir Putin — pediu à administração que lhe fornecesse documentos do processo de Flynn para perceber se este declarou o dinheiro que recebeu de empresas russas quando foi escolhido para integrar a administração Trump.

A notícia foi avançada esta terça-feira pela revista "Mother Jones" e outros media, depois de os representantes Elijah Cummings, democrata, e Jason Chaffetz, republicano, terem anunciado que Flynn pode ter violado a lei ao não declarar esses pagamentos estrangeiros às autoridades federais durante o processo formal de autorização de segurança para integrar o CSN.

"Não vejo dados que comprovem que o general Flynn tenha respeitado a lei", acusou esta terça-feira Chaffetz, diretor da comissão, em declarações aos jornalistas. Logo a seguir, Cummings, democrata de topo da mesma comissão, acusou a administração Trump de se recusar a fornecer os documentos requeridos para apurar se o general desrespeitou a legislação em vigor.

"Apesar de todos os desenvolvimentos preocupantes, recebemos uma resposta da Casa Branca a recusar-se a fornecer quaisquer documentos como requerido", declarou o representante democrata. "Até agora não recebemos quaisquer documentos internos relacionados com o que o general Flynn declarou à Casa Branca durante o processo de confirmação para ser conselheiro de segurança nacional e não recebemos quaisquer documentos relativos à sua cessação de funções como conselheiro de segurança nacional por ter ocultado os contactos que manteve com o embaixador russo", Sergey Kislyak.

Esta terça-feira de manhã, a CNN noticiou que Marc Short, diretor de assuntos legislativos da Casa Branca, enviou uma carta àquela comissão da câmara baixa do Congresso a defender a postura do governo, dizendo que parte dos documentos requeridos são do pelouro de outras agências e que são elas que têm de os fornecer aos investigadores. Sobre os ficheiros da candidatura de Flynn para integrar a administração, Short disse apenas que o governo "não pode acomodar" o pedido.

Michael Flynn foi despedido do cargo de diretor do CSN em fevereiro sob o argumento de que mentiu ao vice-presidente, Mike Pence, sobre os tópicos discutidos ao telefone com o embaixador Kislyak em dezembro, antes de Trump tomar posse e de o general ter sido escolhido para liderar o círculo de conselheiros de política externa do Presidente.

Desde então, pelo menos seis membros da administração, incluindo o procurador-geral, Jeff Sessions, já foram acusados de manter contactos duvidosos com elementos próximos do governo de Putin durante a campanha eleitoral e já depois das eleições de novembro.

Há um mês, vários media norte-americanos avançaram que Flynn está agora disposto a testemunhar contra o governo Trump sobre o alegado conluio com as autoridades russas em troca de proteção no âmbito das investigações em curso na Câmara dos Representantes, no Senado e no FBI.