Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Administração Trump exclui muro da proposta de Orçamento para evitar encerramento do governo

Justin Sullivan

Omissão de fundos para avançar com a construção do muro na fronteira com o México, uma das promessas de Donald Trump para os seus primeiros 100 dias no poder, deverá evitar que o governo fique sem dinheiro para o ano fiscal corrente na votação de sexta-feira

O governo de Donald Trump indicou na terça-feira que vai excluir o financiamento do muro na fronteira com o México do projeto-lei de Orçamento para 2017 que tem de ser aprovado esta sexta-feira sob pena de a administração ser forçada a encerrar.

Esta terça-feira, Kellyanne Conway, assessora próxima do Presidente, avançou na Fox News que a alínea — uma das grandes promessas de campanha do empresário eleito pelo Partido Republicano em novembro — vai ser deixada de fora das medidas orçamentais, apesar de ter sublinhado que continua a ser uma "prioridade muito importante" para o atual governo.

A oposição democrata tinha ameaçado bloquear o projeto-lei se a administração incluísse nele dinheiro para construir a barreira na fronteira partilhada com o México. A omissão dessa medida deverá agora evitar que o governo seja forçado a encerrar por falta de dinheiro.

Apesar da garantia de Conway, Trump recorreu ao Twitter para insistir que continua a defender a construção do muro e que este irá avançar eventualmente. Os tweets seguiram-se a um encontro privado com membros dos media conservadores na segunda-feira, no qual o Presidente terá dito que está disposto a tentar obter os fundos necessários para o muro mais para o final do ano.

Até agora, a administração estava empenhada em garantir que o projeto-lei para financiar as agências federais no ano fiscal em curso previa 1,5 mil milhões de dólares (1,37 mil milhões de euros) para o muro — um dos pontos da agenda de Trump para os seus primeiros 100 dias na Casa Branca, quase todos por cumprir a poucos dias de esse prazo ser atingido.

Esta terça-feira, o chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, disse que o Presidente "está a trabalhar a uma velocidade vertiginosa dentro dos limites legais" para conseguir implementar parte das suas promessas de campanha.

A par dos democratas, alguns republicanos também não estão dispostos a alocar dos cofres públicos os 21,6 mil milhões de dólares (19,7 mil milhões de euros) necessários para construir um muro que Trump garantiu que custaria no máximo 12 mil milhões (quase 11 mil milhões de euros).

Entre os membros do partido no poder que estão contra a medida contam-se governadores e outros políticos eleitos em distritos e estados ao longo da fronteira, "conscientes de que têm grandes comunidades de hispânicos" entre as suas populações, refere esta quarta-feira a BBC.

Apesar da aparente inversão de marcha, a Casa Branca continua a insistir na necessidade de se erguer um muro na fronteira por causa do tráfico de droga e da imigração clandestina. "As prioridades não mudaram", garantiu Sean Spicer, o porta-voz da administração. "Um muro vai ser construído."