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Em 21 dias quase 1500 pessoas foram detidas na Venezuela

Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Do total dos detidos, 71 pessoas foram formalmente acusadas e presas e 221 aguardam audiência. Manifestações da oposição contra o Governo intensificaram-se nas últimas três semanas, provocando pelo menos 24 mortos

Desde 4 de abril, semana em que as manifestações contra o Governo de Nicolás Maduro se intensificaram na Venezuela, já foram detidas 1.486 pessoas, anunciou esta terça-feira o Foro Penal Venezuelano, organização não-governamental (ONG) do país. Destes, 71 foram formalmente acusados e presos e 221 aguardam audiência com um juiz.

As autoridades venezuelanas libertaram 149 pessoas, que têm de se apresentar às autoridades regularmente, e 461 sem essa obrigatoriedade, declarou esta segunda-feira o diretor da ONG, Alfredo Romero.

As manifestações da oposição, formada pela coligação Mesa de Unidade Democrática (MUD), intensificaram-se a 1 de abril e provocaram pelo menos 24 mortos. A MUD exige a realização de eleições, a libertação dos presos políticos e o fim da repressão do Governo do Presidente Maduro contra os direitos humanos, num contexto de intensa crise económica e política.

Além disso, os protestos intensificaram-se na sequência de duas sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) atribui poderes especiais ao Presidente, chamou a si as funções do Parlamento e limitou a imunidade parlamentar.

Oposição convoca nova marcha de protesto

O deputado Miguel Pizarro, em representação da oposição, anunciou uma nova marcha de protesto na quarta-feira, a partir de 26 pontos da capital, Caracas.

Segundo indicou, a 11ª manifestação em 25 dias terá três destinos possíveis: a Defensoria do Povo (espécie de Procuradoria de Justiça), o Conselho Nacional Eleitoral e o STJ. O destino final será apenas anunciando esta noite, para evitar a repressão organizada por parte do Governo venezuelano.

"Temos tido sucesso no exercício da resistência em todo o país”, sublinhou Pizarro. “Temos que defender o espaço legislativo (parlamento) e informar a comunidade internacional que o golpe de Estado continua na Venezuela.”