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Internacional

Procurador italiano acusa ONG de “conluio” com traficantes no Mediterrâneo

David Ramos

Ao “La Stampa”, Carmelo Zuccaro diz ter provas de “contactos diretos” entre “algumas organizações não-governamentais” e as redes de tráfico de pessoas que operam na Líbia, mas não refere a abertura de qualquer inquérito criminal

Um procurador italiano diz ter recolhido provas de que algumas organizações não-governamentais que prestam apoio aos refugiados e migrantes no Mediterrâneo estão a trabalhar "em conluio" com as rede de tráfico de pessoas que operam a partir da Líbia.

Em entrevista ao jornal "La Stampa", Carmelo Zuccaro garante que tem havido "contactos diretos" entre as ONG e os traficantes instalados na costa líbia, de onde a maioria dos requerentes de asilo parte para a Europa desde que a UE alcançou um acordo com a Turquia para encerrar a rota dos Balcãs e acabar com o tráfego marítimo no Mediterrâneo oriental.

"Temos provas de contactos diretos entre algumas ONG e traficantes de pessoas na Líbia." Na mesma entrevista, citada esta segunda-feira pela BBC, o procurador acusa os que resgatam pessoas no Mediterrâneo de acenderem luzes para orientar os botes dos contrabandistas e de desligarem os transponders para que a localização precisa das suas embarcações não possa ser detetada.

Apesar das alegadas provas de conluio, o procurador não revela se vai abrir uma investigação criminal contra as organizações em questão. Estas continuam a rejeitar as acusações de cooperação com os traficantes, garantindo que a sua única preocupação é salvar vidas.

Neste momento, Itália é a principal porta de entrada marítima na Europa para os refugiados e migrantes que buscam asilo no continente. Desde o início deste ano, e de acordo com dados da agência da ONU para os Refugiados, quase mil pessoas já morreram na rota do Mediterrâneo Central desde o início deste ano e quase 37 mil foram resgatadas durante o mesmo período – um aumento de 40% em comparação com os primeiros meses de 2016.

Os comentários de Zuccaro surgem depois de o diretor da agência europeia de patrulhamento de fronteiras (Frontex), Fabrice Leggeri, ter criticado a atividade das organizações sem fins lucrativos no Mediterrâneo, dizendo que estas funcionam como serviços de táxi que transportam imigrantes para a Europa.

Os responsáveis destas ONG, como Chris Catrambone, cofundador da Migrant Offshore Aid Station, desmentem as acusações e defendem que "mais gente morreria" se elas não estivessem na região a prestar apoio aos que arriscam a travessia do Mediterrâneo.