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PS francês e Os Republicanos são “campo de ruínas”

Benoît Hamon na hora do adeus. Candidato socialista conquistou apenas 6,3% dos votos na primeira volta das presidenciais francesas

VINCENT KESSLER / REUTERS

A primeira volta das presidenciais em França eliminou pela primeira vez na história da V República os candidatos dos partidos tradicionais do poder. Ajustes de contas na direita, crise no PS

No PS e em Os Republicanos (novo nome dos antigos UMP e RPR) os dirigentes acordaram na manhã desta segunda-feira com uma grande “gueule de bois” (ressaca).

Na direita, ajustam-se contas na praça pública desde o fim da votação da primeira volta. Nos socialistas, vai realizar-se nas próximas horas uma reunião da direção para tentar “salvar os móveis” do campo de ruínas em que caiu o partido depois do desastroso resultado (6,3%) do seu candidato, Benoît Hamon.

A derrota provocou uma onda de choque no PS, que já se tinha profundamente dividido antes da votação com diversos nomes sonantes, como Manuel Valls ou Jean-Yves le Drian, respetivamente antigo primeiro-ministro e atual ministro da Defesa, a apoiarem Emmanuel Macron, o vencedor da primeira volta com 23,9% (contra 21,4% para Marine le Pen). A crise é profunda no PS, que apela agora ao voto no candidato de “Em Marcha” na segunda volta das presidenciais e vai tentar manter algumas dezenas de lugares de deputados na Assembleia nas eleições legislativas que se seguirão às presidenciais, já em junho.

A reunião da direção partidária visa salvar o partido da implosão e do agravamento da cisão interna. Depois de cinco anos no poder, com François Hollande, o PS afundou-se e Benoît Hamon reconheceu-o: “Meço a sanção histórica, legítima, que os eleitores exprimiram contra o Partido Socialista”.

Benoît Hamon: “Meço a sanção histórica, legítima, que os eleitores exprimiram contra o Partido Socialista”

Benoît Hamon: “Meço a sanção histórica, legítima, que os eleitores exprimiram contra o Partido Socialista”

VINCENT KESSLER / REUTERS

Ajustes de contas na direita

Pelo seu lado, o partido Os Republicanos também acentuou a sua crise interna depois da derrota de François Fillon (19,9%). Mas, aqui, culpa-se o candidato para tentar salvar o partido e concorrer nas melhores condições possíveis às legislativas de junho. Eric Woerth, antigo braço direito de Nicolas Sarkozy, declarou-o claramente: “Não foi a direita que perdeu, foi Fillon”. “Deveríamos ter ganho esta eleição, foram os escândalos que nos atiraram para o fundo”, acrescentou.

Woerth, que foi ministro do Orçamento com Sarkozy, evocava desse modo o peso dos casos de empregos fictícios da mulher e de dois filhos do antigo primeiro-ministro e ainda o escândalo dos fatos a mais de dez mil euros cada um que um obscuro homem de negócios lhe ofereceu.

Na direita, é essa linha de bater duramente em Fillon que prevalece. Rachida Dati, antiga ministra da Justiça, falou, logo a seguir ao anúncio dos resultados, em “derrota moral” do candidato e Jean-François Copé, antigo líder partidário comentou: “Foi um combate presidencial que a direita nunca deveria ter perdido e é um fiasco lamentável”.

Muitos outros dizem abertamente na manhã desta segunda-feira que François Fillon deveria ter renunciado à candidatura logo que foi acusado pela Justiça de corrupção e desvio de fundos públicos.

Os resultados da primeira volta das presidenciais provocaram um terramoto político com réplicas importantes nos dois antigos partidos que há décadas alternam no poder. Réplicas que vão certamente demorar a ser controladas.

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